terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

149- CLOVIS AMORIM


Clovis Gonçalves Amorim, mais conhecido como Clovis Amorim, escritor e romancista, nasceu na cidade de Amélia Rodrigues (antigamente distrito de Lapa, município de Santo Amaro da Purificação), no dia 27 de setembro de 1912.

Estudou as primeiras letras em sua terra natal, após o que se mudou para Salvador, a fim de fazer o curso de ginásio mas não realizou o planejado porque  na capital da Bahia só se interessou pelo jogo do bicho,  brigas de galos, sambas de cantos de rua e outros vícios a que estava acostumado.

De estatura incomum, com quase dois metros de altura, chamava a atenção, também, pelo temperamento alegre e brincalhão,  conversador e chegado a cervejadas.

Autor de um romance muito festejado, O Alambique, publicado em 1934, Clovis Amorim foi uma das personalidades mais brilhantes do cenário  intelectual baiano. Integrou a  “Academia dos Rebeldes”, ao lado de Jorge Amado, Edison Carneiro, João Cordeiro, Alves Ribeiro, etc.

Na vida privada, tentou viver de um alambique, vendendo cachaça, mas não teve sucesso. Depois, fez-se fazendeiro, também sem sucesso  e  assim, de tentativa em tentativa, passou a publicar versos, epigramas e ensaios em vários periódicos: A Luva, O Momento, O Diário da Tarde de Ilhéus, O Jornal, O Boletim de Ariel, etc.

Dos seus ensaios, destacamos O Moleque no Carnaval, publicado em 1937.

Seu romance de maior sucesso é O Alambique , romance regional que focaliza o folclore nacional (xingamentos, modos de andar e de insultar, neologismos, provérbios populares, etc,). Seus personagens falam uma linguagem matuta.  Este romance foi equiparado a outros da mesma época, publicados  por  Raquel de Queirós (João Miguel, 1932), José Lins do Rego (Menino de Engenho, 1932) e Jorge Amado (Cacau, 1933).

Seu segundo romance foi Chão de Massapê, premiado pela Academia de Letras da Bahia.

 “Entre os grandes romances modernos do Brasil, O Alambique se situa num lugar aparte, diferente que é de todos eles, sem ter parecença sequer com Menino de Engenho e A Bagaceira, aos quais está ligado pelo parentesco da cana de açúcar. Aliás, nesses romances, o clima não é dado pelo verde alegre dos canaviais se balançando ao vento. O que atravessa o livro todo, dominando os trabalhadores, os patrões, os empregados, os costumes e a própria natureza, é a cachaça que escorre alva e pura, dos destiladores” (Jorge Amado).

“Deste romance de Clóvis Amorim se pode dizer que é um acontecimento estranho, surpreendente, na literatura nacional. Não há nele, a luta do homem por modelar a natureza à sua vontade. Pelo contrario, há uma verdadeira apatia nos personagens desse drama – o da cachaça, - até hoje desconhecido do Brasil. O verde dos canaviais, as máquinas de fabricação da boa pra tudo, a moleza da vida humana nessas regiões que o progresso esqueceu, formam como que a única realidade viva que se agita no livro” (Edison Carneiro, a respeito do romance O Alambique)

“O Alambique, disse João Cordeiro (autor do romance Corja, editado em 1934), tem todos os defeitos e as virtudes todas do autor. Escrevendo-o Clóvis Amorim refletiu nele (certo, sem nenhum propósito) a barbárie e a selvageria da sua natureza de tabaréu verdadeiramente incivilizável. Deixou escorregar, extravasar mesmo, pelo físico da pena com que o traçou, a sua alma inteirinha. A alma e o seu físico. Daí, subir O Alambique com as pernas e os braços enormíssimos, espetaculares de Clóvis Amorim, com os seus gestos bruscos e impulsivos, voluntarioso como ele, e, também, belo e grandioso como o seu talento, que eu considero – sem receio de cometer uma heresia, de primeira água.”

Clovis Amorim faleceu em Salvador, em 18 de agosto de 1970. após ter sido internado  em uma clínica  em caráter de urgência. À beira do túmulo foi saudado pelo poeta e amigo Godofredo Filho (1904-1992), que disse: “Estou certo de que, quando se escrever, amanhã, a verdadeira história literária da Bahia, a figura de Clóvis Amorim como poeta satírico avultará, tal seu físico se agigantava em vida, sobre a planície cinzenta em que pululam tantos pigmeus de nossas letras”.




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