domingo, 11 de maio de 2014

SEBASTIÃO DA ROCHA PITA

 
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Sebastião da Rocha Pita, advogado, historiador e poeta baiano, nasceu em Salvador, em 3 de maio de 1660.
Realizou os primeiros estudos em sua terra natal, onde foi aluno do Colégio dos Jesuitas e obteve o grau de Mestre em Artes. Aos 16 anos foi para Portugal, matriculou-se na Universidade de Coimbrra e fez o curso de ciências jurídicas.
Excelente historiador, tanto de Portugal quanto do Brasil, foi acadêmico supranumerário da Academia Real de História Portuguesa e  pertenceu a  Academia Brasílica dos Esquecidos, da qual foi um dos fundadores.
De sua bibliografia constam, além de vários sonetos, dois registros históricos: um sobre a cidade da Bahia e outro sobre a  vida e a morte de D. Leonor Josepha de Vilhena. Sua obra prima é a “História da América Portuguesa”. Depois de sua morte foram publicados “O Tratado Político de Sebastião da Rocha Pita” (1972) e “Oração do acadêmico vago Sebastião da Rocha Pita presidindo a Academia Brasílica”(1974).
A “História da América Portuguesa”, fruto de laboriosa pesquisa nos arquivos de Lisboa, foi publicada em 1730. Em linguagem da época, assim descreve as maravilhas do Brasil:
“Do Novo Mundo, tantos séculos escondido e de tantos sábios caluniado, onde não chegaram Hanão com suas navegações, Hércules Líbico com suas colunas, nem Hércules Tebano com suas empresas, é melhor porção o Brasil; vastíssima região, felicíssimo terreno, em cuja superfície tudo são frutos, em cujo centro tudo são tesouros, em cujas montanhas e costas tudo são aromas, tributando os seus campos o mais útil alimento, as suas minas o mais fino ouro, os seus troncos o mais suave bálsamo, e os seus mares o âmbar mais seleto, admirável país, a todas as luzes rico, onde, prodigamente profusa, a natureza se desentranha nas férteis produções, que em opulência da monarquia e benefício do mundo apura a arte, brotando as suas canas espremido néctar, e dando as suas frutas sazonadas a ambrósia de que foram mentida sombra o licor e vianda que aos seus falsos deuses atribuía a culta gentilidade. Em nenhuma outra região se mostra o céu mais sereno, nem madruga mais bela a aurora: o sol em nenhum outro hemisfério tem os raios tão dourados, nem os reflexos noturnos tão brilhantes; as estrelas são as mais benignas e se mostram sempre alegres; os horizontes, ou nasça o sol, ou se sepulte, estão sempre claros; as águas, ou se tomem nas fontes pelos campos, ou dentro das povoações nos aquedutos, são as mais puras; é, enfim, o Brasil terrenal paraíso descoberto, onde têm nascimento e curso os maiores rios; domina salutífero clima; influem benignos astros, e respiram auras suavíssimas, que o fazem fértil e povoado de inúmeros habitadores, posto que, por ficar debaixo da tórrida zona, o desacreditassem e dessem por inabitável  Aristóteles, Plínio e Cícero; e com os gentios os padres da Igreja, Santo Agostinho e Beda, que, a terem experiência deste feliz orbe, seria famoso assunto das suas elevadas penas, aonde a minha receia voar, posto que o amor da Pátria me dá asas, e a sua grandeza me dilata a esfera’.  
Sua primeira biografia, escrita  pelo historiador João Manuel Pereira da Silva e publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, data de 1849. Joaquim Manoel de Macedo, autor de “A Moreninha”, orador do Instituto Histórico e  Geográfico Brasileiro, lembra que “até o fim do século XVIII o Brasil, embora já tivesse história, ainda não tinha historiador”. Sebastião da Rocha Pita foi o primeiro.
Além de importante historiador, Sebastião da Rocha Pita foi poeta conhecido e festejado, coronel do regimento de ordenanças, fidalgo da casa real, cavaleiro da ordem de Cristo, vereador em Salvador e estudioso de várias línguas.
Alguns críticos têm procurado ressaltar a importância de Rocha Pita como poeta, destacando-se dentre eles Temístocles Cézar. Afrânio Coutinho  enxerga nos versos deste poeta seiscentista “verdadeiros jogos literários”, certa “habilidade de expressão” e alguma “técnica versificatória”.
Sebastião da Rocha Pita faleceu no dia 2 de novembro de 1738, na cidade de Cachoeira (onde se estabeleceu desde seu casamentocom Ana Cavalcanti).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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