sexta-feira, 20 de junho de 2014

JUAREZ MARANHÃO


JUAREZ   MARANHÃO- MARINHA N. 8
TAPEÇARIA, TECELAGEM DE LÃ E TALAGARÇA

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Juarez Maranhão Guimarães, mais conhecido como Juarez Maranhão, pintor, trapeceiro e desenhista, nasceu em Salvador, em 21 de janeiro de 1930.

Aos seis  anos aprendeu as primeiras letras na Escola Fernando Azevedo, no Centro Histórico de Salvador. Aos dez, ingressou no Colégio Salesiano onde aprendeu o ofício de encadernação. Aos dezenove, concluiu o curso ginacial no Instituto Bahiano de Ensino, sob a direção do notável educador Hugo Baltazar da Silveira. Aos vinte e cinco, terminou os preparatórios no Colégio Estadual da Bahia.
Aos dezeis anos, conheceu o pintor e professor de pintura Raimundo Aguiar,  aprendeu a noções de pintura a óleo sobre tela e decidiu ser artista plástico. Ao tomar conhecimento que Prisciliano Silva estava pintando o interior da Igreja de São Francisco, foi até ele para conhecer o segredo de misturar tintas.

Apesar de autodidata, iniciou sua “fase acadêmica” frequentando a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Produziu seus primeiros trabalhos de óleo sobre tela, optando por natureza morta e paisagens de colorido sombrio.  Após esta fase (que vai de 1947 a 1955)  passou por muitas outras: de 1956 a 1963, pintou nús artísticos e a Bahia Colonial; de 1963 a1969, dedicou-se à pintura com espátula larga e óleo sobre tela, retratando o Farol da Barra e os Alagados; em 1970, produziu trabalhos de óleo sobre tela com pincel, enfocando os Orixás, o Candomblé, a Puxada da Rede, a Pesca do Xareu, o Samba de Roda, a Luta da Capoeira, o Maculelê e a Feira dos Caxixis; em 1971, fez pintura acrílica sobre tela, em cores vibrantes e pinceladas soltas o crepúsculo, as dunas, as musas, as lavadeiras e encantos do Abaeté; em 1972 e 1973, voltou aos Alagados: o colorido dos Alagados, Alagados dos Amores, Espelho dos Alagados, Fantasias dos Alagados, Aquarela dos Alagados; em 1974, inspirou-se no mar da Bahia e na Bahia de Todos os Santos, a Cidade Alta, a Cidade Baixa, Itapoan, a Praia de Jauá, a Ladeira do Pelourinho, a Farol da Barra, “Mulher Feliz” e “Econtro de Amigos”; em 1975 e 1976, voltou-se para as tapeçarias e, com uma nova explosão de cores, explorou as visões submarinas, com plantas e animais aquáticos em meio aos mistérios do mar; de 1977 a 1979, empolgou-se com o abstrato em tapeçaria, inspirado em “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado; em 1980, continuou no mesmo tema abstrato, agora com tinta acrílica, na temática de Gabriela: o aroma, o apogeu, o perfume e o crepúsculo de Gabriela; de 1981 a 2000, com tinta acrílica sobre tela, dedicou sua obra ao amigo e visinho, Jorge Amado. Seus quadros se inspiraram nos livros do escritor; a partir de 2001. Juarez Maranão voltou-se para esculturas e o abstrato com acrílico, abordando temas autias como o aquecimento global e na ecologia.

Sua primeira exposição data de 1947, na antiga Biblioteca Pública da Bahia, na Praça Tomé de Souza. A partir daí realizou inúmeras outras exposições individuais e coletivas. Em 2000 fez uma exposição individual retrospectiva, de grande sucesso, no Pálácio da Aclamação, em Salvador, expondo 50 trabalhos de um acervo de 50 anos por ele vividos nas artes plásticas.

Vinte e nove críticos de arte e artistas baianos  assinaram depoimentos elogiosos sobre os trabalhos de Juarez  Maranão, destacando-se dentre eles Mário Cravo Júnior, José Júlio Calazans Neto, Carlos Bastos, César Romero e Romano Galeffi

     PUXADA DE  REDE - JUAREZ MARANHÃO- ÓLEO SOBRE TELA
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terça-feira, 17 de junho de 2014

JOSÉ TOMAZ NABUCO DE ARAUJO FILHO


JOSÉ TOMAZ  NABUCO   DE  ARAUJO  FILHO


José Tomás Nabuco de Araújo Filho, pai do historiador, diplomata e abolicionista Joaquim Nabuco, nasceu em Salvador, em 14 de agosto de 1813, sendo seus pais o senador José Tomaz Nabuco de Araújo  (1785-1850) e Maria Bárbara da Costa Ferreira. Seu pai presidiu as províncias da Paraíba (1831) e do Espírito Santo (por duas vezes: 1836-1837 e 1837-1838).
Desde cedo Nabuco de Araújo demonstrou merecer as qualidades do seu ilustre progenitor. Em 1831, matriculou-se na Faculdade de Direito de Olinda, onde concluiu  o curso de Leis. “Político, discutidor, infatigável no trabalho, como estudante sustentava nas aulas lugar de honra entre os seus companheiros. Não podia contentar-se com os estudos como alimento à atividade do seu espírito, nem faltar à sua vocação que o chamava a ocupar-se dos negócios públicos. Portanto, tomou parte em todas as associações patrióticas dessa época de agitação, e para vulgarizar as suas convicções empregou logo a pena de jornalista”.
Sempre devotado à causa pública, foi um dos fundadores dos jornais  Eco de Olinda e  O Velho.  O Eco de Olinda, o Velho, o Aristarco, o Lidador e o União foram ferrenhos defensores  da ordem pública e da união nacional.
Formado em 1º de dezembro de 1835, foi nomeado promotor público da cidade do Recife, cargo em que se manteve até janeiro de 1841, quando foi nomeado juiz de direito da comarca de Pau do Alho, na mesma província.
Na passagem  pela promotoria de  Recife aplicou-se no estudo da jurisprudência, aperfeiçoando seus hábitos de prudência, madureza e reflexão.
Antes de atingir os 30 anos, foi eleito deputado geral por Pernambuco. Em 1850, foi reeleito e no ano seguinte foi nomeado presidente da província de São Paulo, assim permanecendo até 1852, quando foi  eleito, mais uma vez, deputado. São Paulo era uma das províncias mais agitadas do país, exigindo de seu Presidente tino, descortino e, conseqüentemente, hábil administração. Nabuco de Araújo  neutralizou as paixões, acalmou o antagonismo e reconciliou as inimizades.
A vida política o afastou da carreira de magistrado. Nunca mais voltou à sua comarca e em 1857 foi aposentado como juiz de direito com as honra de desembargador.
Foi ministro da Justiça (gabinetes Paraná, Abaeté e Olinda), senador pela Bahia (1858) e, em 1866, membro do Conselho de Estado (órgão presidido pelo Imperador D. Pedro II ). Como membro deste Conselho, defendeu a tese “o rei reina mas não governa”.
Grande orador e notável conhecedor da ciência jurídica, foi no Segundo Reinado consultor  de vários gabinetes. Como ministro e legislador, plantou as bases das reformas judiciária e hipotecária, codificou as leis sobre os crimes cometidos por brasileiros no exterior e casamentos mistos, reformou a magistratura e os tribunais comerciais, instituiu o Ministério Público, fundou a Ordem dos Advogados do Brasil (da qual foi Presidente), fez a reforma penal, introduziu as sociedades de responsabilidade limitada no direito brasileiro, abriu o rio Amazonas ao comércio internacional e se tornou um dos maiores juristas do Brasil.
Considerando que o projeto de Teixeira de Freitas ficou inacabado, e o do Visconde de Seabra rejeitado, recebeu José Tomás Nabuco a difícil tarefa de apresentar ao Governo Imperial o novo projeto do Código Civil Brasileiro. Trabalhou durante cinco anos no cumprimento desta árdua missão que  não foi alcançada em razão de sua morte, ocorrida em 1878. O projeto por ele elaborado demonstra que o seu autor era um estadista e não um filósofo. . Ele próprio reconheceu esta faceta e seu filho, Joaquim Nabuco, defendendo a mesma tese, dedicou ao pai o livro Um estadista do Império, obra prima da história política brasileira.
Sob vários aspectos Nabuco de Araújo foi  pioneiro, especialmente  no que se refere à abolição da escravatura. Antes de qualquer outro, defendeu o fim gradual desta infame prática.
Envolvido de corpo e alma na tarefa de preparar o projeto do Código Cívil Brasileiro, Nabuco de Araújo faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de março de 1878. Encerrou-se assim a vida de um baiano ilustre, filho de um grande vulto do Primeiro Império e pai de outro brasileiro igualmente célebre: Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, político, diplomata, historiador, jurista e jornalista pernambucano, glória de Pernambuco e do Brasil.


DOM ANTÔNIO MACEDO COSTA


DOM  ANTÔNIO MACEDO COSTA
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Dom  Antônio de Macedo Costa, Bispo do Grão Para e  Arcebispo Primaz do Brasil, nasceu em Maragogipe, no dia 7 de agosto de 1830, sendo seus pais José Joaquim de Macedo Costa e Joaquina de Queirós Macedo.
Ingressou no seminário da Bahia no dia 31 de dezembro de 1848 de onde saiu, em 1852, para realizar os estudos eclesiásticos no Seminário de Saint Celestin, em Bourges, França, nele permaneceu durante dois anos. De 1854  a 1857, estudou no Seminário de São Sulpício, em Paris. Em 19 de dezembro de 1857, com 27 anos, ordenou-se presbítero em Paris pelas mãos do Cardeal Arcebspo de Paris, François Nicholas Madeleinite Morlot. Doutorou-se em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no dia 28 de junho de 1859.
Assim preparado, foi indicado para o episcopado e o seu nome apresentado pelo Imperador D. Pedro II à Santa Sé, no dia 23 de março de 1860.
No dia 20 de dezembro de 1860 o Papa Pio IX confirmou sua nomeação como 10º Bispo do Grão Pará. Foi ordenado bispo no dia 21 de abril de 1861, pelas mãos de Dom Mariano Falcinelli Antoniacci, Internúncio Apostólico no Brasil. Sua posse efetuou-se no dia 23 de maio do mesmo ano.
Durante o governo episcopal de D. Antônio Macedo Costa aconteceu a chamada “Questão Religiosa”, reflexo no Brasil da confrontação que se verificava na Europa entre a Maçonaria e a Igreja Católica Apostólica Romana. A “Questão Religiosa” envolveu a autonomia da Igreja diante do poder civil, autonomia defendida ardorosamente por D. Romualdo de Seixas (Arcebispo da Bahia, Primaz do Brasil), Dom Antônio Viçoso (Bispo de Mariana), Dom Antônio Macedo Costa, (Bispo do Grão Pará), e outros religiosos..
O primeiro incidente  ocorreu em março de 1872, quando o Bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria de Lacerda, invocando  os cânones católicos contra a Maçonaria, suspendeu o padre Almeida Martins, em virtude de ter proferido um discurso em homenagem ao Visconde de Rio Branco, em regozijo pela Lei do Ventre Livre.
Posteriormente, Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira (Bispo de Olinda e Recife) e Dom Antônio Macedo Costa (Bispo do Grão Pará), determinaram que as Ordens Terceiras e Irmandades excluissem os seus membros que também pertencessem à Maçonaria. A determinação foi desobedecida e D. Vital, em represária, lançou um interdito canônico àquelas entidades, as quais apelaram para o Imperaddor, alegando abuso de poder por parte dos Bispos. O Imperador atendeu ao recurso.
A situação se complicou: o Ministro do Império, João Alfredo, enquadrou Dom Vital e Dom Macedo Costa  como infratores do Decreto 1.911, de 28 de março de 1857, pelo que deveriam declarar sem efeito seus atos, “pois a constituição das Ordens Terceiras e Irmandades do Brasil  era de exclusiva competência do poder civil e a atitude dos Bispos constituia uma usurpação da jurisdição do poder temporal”. Em resposta, Dom Vital afirmou que o beneplácito imperial não passava de uma aberração, pois o recurso contra as decisões dos Bispos era absurdo e herético. D. Antônio Macedo Costa foi mais rigoroso, dizendo: “Reconhecer no poder civil autoridade para dirigir as funções religiosas equivale a uma apostasia!”.
Culminando o desentendimento, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça mandou prender os dois Bispos, acusando-os de terem infringido o art. 96 do Código Criminal. Dom Vital foi preso em janeiro e Dom Macedo Costa em abril de 1874. O julgamento foi rápido e os Bispos se recusaram a defender-se, alegando que não reconheciam a competência do Supremo Tribunal de Justiça para julgar matéria privativa da Igreja. Dom Macedo Costa e Dom Vital foram condenados a quatro anos, parte dos quais cumpriram na fortaleza da Ilha das Cobras.
A condenação teve  repercussão diplomática. |O Barão de Penedo foi enviado à Roma para pedir que o Papa Pio IX  repreendesse os Bispos.
Depois de ano e meio de prisão, o Imperador decretou a anistia.
Dom Macedo Costa voltou para sua diocese e Dom Vital não reassumiu suas funções. Doente, renunciou ao episcopado e voltou à Europa em busca de tratamento,  falecendo em 1878.
No dia 26 de junho de 1890, Dom Macedo Costa foi transferido para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, tornando-se Arcebispo Primaz do Brasil. Assistiu a queda de D. Pedro II, em 15 de novembro de 1898, e faleceu em Barbacena, Minas Gerais, no dia 20 de março de 1891.
Em 4 de abril de 1962, o Distrito de São Roque se emancipou politicamente e seus moradores resolveram dar à nova comunidade o nome de Dom Macedo Costa. A Lei, sancionada pelo Governador da Bahia, e publicada no Diário Oficial de 06/04/1062, recebeu o n. 1.652.
 


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segunda-feira, 16 de junho de 2014

EMMANUEL ZAMUR


EMMANUEL  ZAMUR
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Emmanuel Hector Zamor, mais conhecido como Emmanuel Zamor, pintor e cenógrafo baiano,   nasceu em Salvador, no dia 19 de maio de 1840.  Mulato, oriundo de família humilde, alcunhado de “le petit brésilient’, foi adotado desde muito cedo pelo casal francês Pierre Emmanuel Zamore (ilustrador) e Felicity Rose Neveu.

Aos cinco anos, foi com seus pais adotivos para a França onde iniciou o estudo de música e desenho. Frequentou a Academia Julian de Paris, onde trabalhou como cenógrafo e conheceu artistas famosos: Barbizon, Cézanne, Renoir, Degas, Pissarro, Sisley e Monet

Em 1860, já iniciado na pintura, voltou para a Bahia, estabelecendo-se em Salvador. Seus quadros, inicialmente marcados pela sóbria predominância do verde-musco e do ocre, adquiriram a luminosidade e o colorido da natureza tropical. Um incêndio em sua residência, todavia, destruiu quase a totalidade de suas obras. Com este infortúnio, e a morte de seu pai adotivo, ocorrida em 1862, Zamor voltou para a França onde ficou para sempre.

A partir de então, tornaram-se numerosas as lacunas em sua biografia. Pouco sabemos de sua pessoa e de sua vida. É possível que  tenha conseguido algum reconhecimento mas o fato é que permaneceu praticamente ignorado, até quase o final  do século XX.   Sabe-se que viveu na rua Amelot, em Paris, casou-se, no dia 13 de fevereiro de 1873  (com Leontine Olympus Lecornu) e lecionou piano. Conta-se,  que teve uma existência pobre, tendo, inclusive, de utilizar seus trabalhos como lenha a fim de se aquecer no inverno. Sabe-se que depois de algum tempo o casal passou a viver em Dourdan e Leontine morreu ao dar a luz a um filho, Manuel Antoni, em 6 de feveriro de 1881. Zamur retornou á Paris e, em 11 de março do ano seguinte,  casou-se com Eugênia Kollmann (modista), morta em 20 de dezembro de 1916.

Em 1984, o marchand Rafael Kastoriano, da Christy  Antiquités-Objets  d´Art, “descobriu” o artista baiano e arrematou, de uma só vez, 37 trabalhos seus. Estas obras foram posteriormente expostas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp, em 1985.

Em 1990, a Fundação Armando Álvares Penteado dedicou-lhe uma mostra.

A “descoberta” movimentou o mundo artístico. Dentre os críticos que aplaudiram a obra de Zamur, destacam-se Pietro Maria Bardi que elogiou  “sua viva sensibilidade”, e Júlio Louzada que o considerou “ótimo colorista” e  destacou “sua estética pré-impressionista”. Para Pietro Maria Bardi, “Zumor soube captar as tonalidades dos verdes, os claros e escuros, que estão em contrasste com a luminosidade das flores”.

Emmanuel  Zamur faleceu em Créteil, França, no dia 6 de março de 1919.
 
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ANDRÉ REBOUÇAS


ANDRÉ  REBOUÇAS
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André Pinto Rebouças, nasceu em Cachoeira, no Recôncavo baiano, em 1838, sendo seus pais Antônio Pereira Rebouças (alfaiate) e Carolina Pinto Rebouças (escrava alforriada). Teve seis irmãos, dos quais dois eram engenheiros: Antônio Pereira Rebouças Filho e José Rebouças.
Em 1842, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde foi acometido de varíola. Em 1854 ingressou, com seu irmão Antônio, no curso de engenharia da Escola Militar, formando-se em 1858. Dois anos depois, foi promovido a primeiro tenente e recebeu a “Carta de Engenheiro Militar”.
Em 1861, ganhou  uma bola de estudos e embarcou com seu irmão Antônio para a França e a Inglaterra onde permaneceu dois anos, especializando-se em construção de estradas e portos marítimos.
Em 25 de outubro de 1862, regressou ao Brasil. Em 1963, foi nomeado para inspecionar as fortalezas do sul do Brasil, fixando-se em Santa Catarina. Em 1864, voltou para o Rio de Janeiro.
Tendo fracassado seu projeto de construção de diques múltiplos no porto do Rio de Janeiro, aceitou uma comissão para estudar remodelações no porto do Maranhão. Em 1865, voltou ao Rio e apresentou-se como voluntário para lutar na Guerra do Paraguai. Seguiu para o teatro das operações  como engenheiro militar, no posto de 2º Tenente.  Serviu  de maio de 1865 até julho de 1886, desenvolvendo para o exército o projeto de um torpedo que foi utilizado com sucesso. Durante o cerco de Uruguaiana, fez amizade com o Conde D´Eu que acompanhava o Imperador ao campo de batalha. Nesta altura dos acontecimentos, adquiriu varíola e teve de abandonar o campo de batalha. Restabelecido, foi nomeado inspetor da Alfândega do Rio de Janeiro (cargo que exerceu até 1871).

Amante da música erudita, incentivou a carreira de Carlos Gomes, na época compondo a ópera “O Guarani”. Conta-se que Carlos Gomes se inspirou quando estava em Milão. Andando pela Praça do Duomo, ouviu um garoto apregoando “O Guarani, história interessante de um selvagem brasileiro”, uma tradução do romance de José de Alencar. Giuseppi Verdi, consagrado compositor italiano, ao ouvir a ópera “O Guarani”, no Teatro Scala de Milão, exclamou: “Este jovem começa onde eu termino!”.
Em 1871, André e seu irmão Antônio apresentam ao Imperador D. Pedro II o projeto de uma estrada de ferro ligando Curitiba ao litoral do Paraná, na cidade de Antonina (durante a execução do projeto, o trajeto foi alterado para o porto de Paranaguá).
Em 1872, regressou à Europa, onde se empenhou em obter auxílio para a carreira musical de Carlos Gomes. No regresso, visitou Nova Iorque onde sentiu a força do  preconceito racial.

Em 1874, morreu seu irmão Antônio Rebouças Filho. Profundamente abalado, dedicou-se ao jornalismo, colaborou com vários jornais da capital do Império e ingressou na campanha em prol da libertação dos escravos, da qual foi um dos maiores líderes. Ao lado de Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, José do Patrocínio e outros, ajudou a criação da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e da Confederação Abolicionista, e redigiu os estatutos da Associação Central  Emancipadora. 

Durante o Segundo Reinado, Machado de Assis, Cruz e Souza, José do Patrocínio e André Rebouças foram os representantes da pequena classe média negra em ascensão.
Em 1880, assumiu o cargo de professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro.

Em setembro de 1882, André foi para Europa de onde regressou em fevereiro do ano seguinte, a fim de continuar a campanha pela abolição da escravatura.

Proclamada a República, André Rebouças embarcou com  a família imperial para a Europa, permanecendo dois anos em Lisboa como correspondente do jornal “The Times” de Londres. Depois mudou-se para Cannes, onde permaneceu até a morte de D. Pedro II, em 1891.

Em 1892, com 60 anos de idade, foi atacado por forte crise depressiva. Pressionado por problemas financeiros, aceitou um emprego em Luanda, onde permaneceu 15 meses. Em meados de 1893, foi para Funchal, na Ilha da Madeira, onde se suicidou no dia 9 de maio de 1898, jogando-se de um penhasco próximo ao hotel em que residia. Seu corpo foi encontrado no mar, ao pé de uma rocha.

Muito embora fosse engenheiro militar, realizou várias obras de engenharia civil no Rio de Janeiro, as quais lhe conferiram projeção, a exemplo do plano de abastecimento de água para a cidade, a construção das docas da Alfândega e das docas D. Pedro II.

A cidade de São Paulo deu o nome de Avenida Rebouças a um de seus principais logradouros e o Rio de Janeiro denominou “Túnel Rebouças” a uma de suas ligações urbanas de maior projeção.
 
 
 
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GILBERTO GOMES

GILBERTO GOMES

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Gilberto Geraldo dos Santos Gomes, mais conhecido como Gilberto Gomes, pintor, desenhista, ilustrador, gravador, escultor, restaurador e professor, nasceu em Aparecida, São Paulo, no dia 16 de outubro de 1955, sendo seus pais Geraldo Gomes e Helena Rangel dos Santos Gomes.
Filho mais velho de uma família operária, fez sua carreira artística na Bahia. Quando criança, em dias de chuva aproveitava o barro colhido na rua para modelar suas primeiras esculturas e se distraia fazendo desenhos.
Aos 13 anos, mudou-se com a família para uma casa no centro de sua cidade natal, ocasião em que passou a frequentar o atelié do pintor e escultor Teixeira Machado. Por este atelié passaram personalidades  famosas: Di Cavalcanti, José Pasin, Hebe Camargo, Mazzaropi, Pixiguinha, Walmor Chagas e outros. Sob a orientação de Machado se iniciou na pintura e realizou suas primeiras exposições. Em 1970, venceu um concurso de desenho. Três anos depois, com a morte de Teixeira Machado, Gilberto, profundamente abalado, passou alguns meses confinado em um porão, em Aparecida. Vencida esta ruptura, frequentou a Associação Paulista de Belas Artes e em seguida, atendendo o chamamento de seus pais que estavam estabelecidos em Santo Amaro da Purificação, mudou-se para a Bahia onde passou a morar.
Na Bahia consolidou sua carreira artísitica, especializando-se em desenho, retratando a bico de pena igrejas, casario e figuras de santos, além de se tornar crítico de arte, professor de artes plásticas e colaborador de jornais e revistas.
A obra de Gilberto Gomes é rica em desenhos e pinturas de cunho  expressionista figurativo, abstracionisa, “sem deixar-se prender em um único movimento estético”. Inicialmente formado em um formalismo acadêmico, Gilberto conseguiu excursionar em variadas técnicas e  adaptar-se  às correntes de seu tempo. Seus  trabalhos  fazem parte de acervos famosos, no Brasil e fora dele.
Gilberto Gomes chegou em Santo Amaro da Purificação com 19 anos de idade. Aproximou-se de Jorge Portugal, Rodrigo Veloso, José Raimundo, Raimundo Sodré, Roberto Mendes e outros intelectuais baianos. No ano seguinte, partiu para Cachoeira, onde fez sua primeira exposição individual e se profissionalizou como artista plástico. Lecionou Desenho e Pintura, foi eleito Presidente do Foto Clube da Bahia. restaurou a obra “O Primeiro Passo para a Independência” (de Antônio Parreiras) e fez amizade com  Hansen Bahia, Rainer, Jorge Amado, Carlos Bastos, Noelice Costa Pinto e Rescala.
Em 1978, mudou-se para a visinha cidade de São Félix onde se tornou amigo do poeta Ubiratan Chamusca. Em seguida fixou-se em Feira de Santana onde permaneceu oito anos ilustrando livros, fazendo exposições individuais e coletivas, atendendo encomendas de obras de arte e ensinando na Universidade Estadual. Em 1985, virou verbete no  “Dicionário de Pintores Brasileiros” (de Walmir Ayála) e, dois anos mais tarde, realizou a exposição “Pinturas Recentes”, no Museu Regional (considerada pela crítica como “uma das três principais mostras do ano no Brasil”).
Finalmente  em 1989  regressou à terra natal, fixando-se no sul do país  onde continuou sua trajetória artística.
Hoje é um consagrado artista que coleciona  depoimentos elogiosos:
"Gilberto Gomes é, antes de tudo, um excelente desenhista. Aquele artista compromissado com a busca e o domínio do traço, da sombra e da luz [...] Conhecer a obra desse artista foi, para mim, um grande privilégio." (Renée Lefevre).
"Pareceu-me estar diante de um pintor de sensibilidade e ofício. Suas telas demonstram a qualidade de um artista sério, que busca sua expressão própria"(Joge Amado).
"[...] jovem entre São Félix e Cachoeira deixa entrever a sua pintura, algo das cidades velhas e barrocas; a sua exuberância tropical parada no tempo..." (Carlos Bastos).
"diálogo das cores (...) numa explosão de sentimentos, devaneios e sonhos de uma fervorosa alma de artista na busca incessante da beleza." (Herberto Sales).
"Gilberto teve coragem de romper com o Expressionismo tradicional para tentar explicar e livrar-se do século XX. (...) A série em azul e branco é o caminho da redendação do pintor, ou seja, a reconciliação do artista com o mistério da criação e da vida." (Magno dos Reis).
"Em busca da essência da arte em sua própria essência, desvencilhou-se do formalismo acadêmico dos antigos mestres e de todos os ismos que enrijecem o espírito e impedem a criação” (Alexandre Marcos Lourenço Barbosa)
De seu Memorial constam vários prêmios, exposições individuais e exposições coletivas.
 
 
 








sexta-feira, 13 de junho de 2014

BENTO JOSÉ RUFINO CAPINAM


BENTO JOSÉ RUFINO CAPINAM- JESUS NO HORTO
(MUSEU DE ARTE SACRA - RIO DE JANEIRO)
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Bento José Rufino da Silva, conhecido como Bento José Rufino Capinam ou simplesmente Bento Capinam, pintor, litógrafo (?) dourador, professor e cenógrafo, nasceu em Salvador, em 1791. Após tomar parte em conflitos decorrentes do movimento da independência do Brasil, trocou o sobrenome português SILVA, substituindo-o por CAPINAM.
Discípulo de Antônio Joaquim Franco Velasco (1780-1833), celebrizou-se por pintar painéis religiosos. A tela “A Morte do Pecador”, colocada na entrada da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador, é de sua autoria e faz par com outra tela famosa, pintada por seu filho Tito Nicolau Capinam (1822-1876). São dele, igualmente, cinco telas da vida de Cristo expostas no Museu de Arte Sacra de São Paulo. Outras, igualmente famosas, ornamentam as igrejas de Nossa Senhora da Ajuda (1845) e da Ordem Terceira de São Francisco (1849), na capital baiana..
Algumas telas atribuídas a Bento Capinam têm autoria duvidosa, como é o caso de certos quadros existentes na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Manuel Quirino atribui a Capinam trabalhos de litografia, o que não é aceito  por outros entendidos de arte.
Foram seus alunos, Francisco José Rufino de Sales, José Francisco Lopes e José Antônio de Cunha Couto, além de seu filho Tito Nicolau Capinam.
A respeito de Bento Capinam, disse  Laudelino Freire: “Conhecedor do desenho, o seu estilo era largo, revelando-se com energia e vigor nos vários gêneros da sua especialidade. No retrato e na decoração sobretudo, mostrou-se artista de merecimento, justificando a alta popularidade de que era cercado na sua terra natal.”

Manuel  Quirino afirmou que  no desenho  Bento Capinam “era seguro e seu estilo expressivo e pronunciado” E acrescenta que “no quadro existente no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA/RJ) , a composição procura dar a ideia de ascensão em turbilhão, graças às nuvens, à maneira como os anjos são envoltos por elas e à assimetria e variedade de posição dos anjos. É uma composição rococó marcada tanto pela elegância, como pela leveza das figuras e das cores claras. Entretanto, no detalhe, vê-se certa desproporção dos corpos, sobretudo nas partes descobertas, desenhadas com menos correção. A pincelada também não acompanha o ritmo da composição, pois é tímida e não ressalta sua luz ou brilho. Apesar disso, o efeito geral da pintura é delicado e revela um pintor estudado’.
Bento José Rufino Capinam faleceu em sua terra natal, no ano de 1874, com a idade de 83 anos.