quinta-feira, 26 de junho de 2014

ALEXANDRE GOMES DE ARGOLO FERRÃO







BRASÃO  DA  FAMÍLIA  FERRÃO

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Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, marechal de campo e herói da Independência, primeiro e único Barão de Cajaíba, nasceu em 1800, na freguesia da Vila de São Francisco do Conde.

Filho de importante família de ricos senhores de engenhos que teve origem em seu pai,  José Joaquim de Argolo e Queirós,  construtor do sobrado do  Engenho da Ilha de Cajaiba e senhor do Engenho Itatingui. Sua mãe, Maria Joaquina Gomes Ferrão Castelo Branco, era descendente de Antônio Gomes, patriarca da família.
Em 21 de outubro de 1807, com pouco mais de seis anos de idade, foi investido no posto de cadete. A partir dos dez anos  subiu todos os degraus da hierarquia militar: alferes, aos dezoito anos; tenente, aos vinte; capitão aos vinte e quatro; sargento-mor (major), aos vinte e seis; tenente-coronel e depois coronel, aos trinta e oito; brigadeiro aos quarenta e dois e  marechal de campo aos cinqüenta e dois.
Em 1821, foi deputado pela Bahia às cortes portuguesas; em 1822, fez a campanha da Independência; em  1831, foi encaregado do policiamento das Vilas de Santo Amaro da Purificação e São Francisco do Conde; em 1837, comandou a brigada que combateu os revoltosos da “Sabinada”; em 1838, assumiu a   Vice-Presidente da província da Bahia (cargo que exerceu durante vinte anos); em 1865  foi presidente da Bahia; em 1860, foi veador de Sua Majestade a Imperatriz.
Durante a luta pela Independência, comandou um batalhão de caçadores na batalha de Pirajá e ”combateu bravamente contra os portugueses e passou à história como  militar brioso e valente.  Na “Sabinada”  foi “um dos que mais lutaram, contribuindo, decisivamente, para sufocar o levante” (Antônio Loureiro de Souza), Na “Guerra dos Farrapos” lutou com  com  coragem,  valentia e patriotismo.
Era dono do Engenho de Cajaiba, situado na ilha do mesmo nome. Como proprietário de escravos  tinha fama de cruel. Diz Antônio Loureiro de Souza: “Apontam-no como um caráter excessivamente rígido, impulsivo, violento, implacável mesmo. As suas ações na vida privada como latifundiário, eram, talvez, algo ásperas, menos benevolentes do que deveriam ser. O que se não poderá contestar, entretanto, é o seu patriotismo e a sua bravura nos campos de batalha, conduzindo as nossas forças armadas com um alteraria incontestável” A respeito de sua crueldade com os escravos, contam que certa feita um visitante elogiou os seis de uma de suas escravas. O Barão, no fim da refeição, presenteou o convidado com os belos seios em uma bandeja.
Era comendador da Ordem de São Bento de Avis, comendador da Ordem de Cristo, oficial da Ordem da Rosa, Medalha da Independência e Barão com honras de grandeza. A Imperial Ordem de São Bento de Avis é uma antiga ordem militar brasileira, originada da Ordem de Avis de Portugal. A Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma antiga ordem honorífica do Brasil, originada da Ordem Militar de Cristo. (depois da Ordem da Rosa, é a que possui maior número de titulares). A Imperial Ordem da Rosa é uma ordem honorífica brasileira, criada em 27 de fevereiro de 1829 pelo Imperador D. Pedro I para perpetuar a memória de seu casamento, em segundas núpcias, com Dona Amélia de Leuchtenberg e Eischstädt)
No fim da vida, o marechal Alexandre Gomes de Argolo Ferrão  recolheu-se a uma propriedade que possuia no Recôncavo, onde faleceu em 10 de maio de 1870, com setenta anos. Deixou um filho, Alexandre Gomes de Argolo Ferrão Filho, que foi, depois, o Visconde de Itaparica.
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

JOSÉ MARIA CÂNDIDO RIBEIRO


RETRATO  DE  CIPRIANO BARATA
(PINTADO PORJOSÉ MARIA CÂNDIDO RIBEIRO)
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Abrimos exceção na lista de filhos ilustres da Bahia para incluir  um pintor que viveu em Salvador e foi  condenado por utilizar sua arte  na falsificação de títulos bancários. Este pintor, desenhista e gravador, chamava-se José Maria Cândido Ribeiro e  nasceu  em 1805.
Sua biografia é pouco conhecida. Sabe-se que foi pai de Cândido Barata Ribeiro, médico, político e escritor baiano, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Em sua honra foi denominada uma das principais ruas de Copacabana.

O personagem retratado viveu em Salvador onde realizou retratos a óleo de várias pessoas da sociedade. Gozou de  notoriedade durante a década de 1840, casou-se com Veridiana Barata, filha de Cipriano Barata e de quem executou o único retrato conhecido.

No final da década de quarenta, foi condenado à prisão perpétua pelo crime de ter fabricado moeda falsa. Em 1855, a pena foi comutada para quatro anos de degredo no município de Guarapuava, no Paraná, para onde foi enviado em 1859. Apesar de ter a pena comutada, foi acusado de ter praticado, novamente, o mesmo crime. Preso,  acabou suicidando-se em Ponta Grossa, no ano de 1861.

È possível que tenha cumprido parte da pena, e também é possível que em 1853 tenha se mudado para o Rio de Janeiro (esta informação está na biografia de seu filho, Cândido Barata Ribeiro). É perfeitamente possível, pois há um processo de despejo contra Cândido Ribeiro, por parte da Justiça do Rio de Janeiro, em 1856.

Não obstante a precariedade de informações sobre a vida desta personagem, Francisco Ferreira Junior obteve informes valiosos. Tais informes, devidamente documentados, constam de sua tese de doutoramento, e são aqui sumariados.
Fabricar dinheiro, e colocá-lo em circulação, era um crime comum na  Bahia. Em sua fala na abertura da Assembléia Legislativa, em 1857, o presidente da província, Antonio Ignácio Azevedo, declarou que este delito e o roubo de escravos eram os maiores inimigos da ordem pública. Cândido Ribeiro foi condenado em Salvador e chegou à Guarapuava acompanhado de Serafim Carvalho Baptista e Carlota Baptista Carvalho.  Além da guia que o acompanhou como degredado, Ferreira Júnior encontrou outro processo-crime, de data anterior, acusando-o do mesmo delito. Consta dos autos que ele nasceu na cidade de Penafiel, em Portugal, tinha  54 anos, possuía barba e cabelos brancos, era exímio pintor e retratista a óleo, além de falsário. O histórico é o seguinte: entre fevereiro e março de 1861 surgiu na secretaria de polícia do Rio de Janeiro uma denúncia informando que o degredado José Maria Cândido Ribeiro (que estava em Guarapuava) e seu protegido Serafim Baptista Carvalho e algumas pessoas alí residentes,  estariam montando uma sociedade para o fabrico de dinheiro falso. Com base na denúncia Serafim foi preso em Niterói e levado para interrogatório. Uma vez na polícia, informou como havia conhecido Cândido Ribeiro, o motivo de sua estadia em Guarapuava e porque teria voltado à Corte para procurar um indivíduo chamado Joaquim Gonçalves do Rego Viana. Esta pessoa  ficara encarregada de conseguir uma nota de duzentos mil reis, do Banco Comercial e Agrícola, e enviá-la a Cândido Ribeiro para ele “abrir uma chapa” e com ela falsificar a referida nota. Em seu degredo Cândido Ribeiro levava a vida pintando retratos e praticando outros expedientes necessários ao seu sustento. Com base no interrogatório de Serafim  , foi autorizado uma busca na residência de Cândido, em Guarapuava, e constatado que as drogas e moedas nela encontradas eram suficientes para condená-lo. Após a perícia, Cândido Ribeiro foi enviado à Curitiba onde foi interrogado. Em 10 de outubro de 1861, Cândido e Serafim foram enviados de volta para Guarapuava, com escolta, para serem julgados.  Nesta altura dos acontecimentos Cândido Ribeiro,  acometido, ao que parece, de uma crise depressiva, se suicidou. em Ponta Grossa, localidade situada no caminho de Garapuava, para onde estava sendo conduzido. O suicídio, de acordo com a descrição de Ferreira Júnior, ocorreu do modo seguinte: “Era 24 de outubro de 1861. Pelas cinco horas da tarde José Maria Cândido Ribeiro saia da casa do vigário da vila de Ponta Grossa e se dirigia para a casa de José Joaquim Pereira Branco onde a pouco havia chegado para se hospedar. Em uma de suas mãos levava uma pequena caixa vermelha, de madeira. No caminho entre as residências, não muito distantes, Ribeiro abriu a caixinha e retirou uma pequena pedra que levou a boca. Ao chegar à casa de Branco, ainda mastigava a substância quando se sentou junto a algumas pessoas que ali estavam e pediu um copo com água. Com um pequeno gesto convulsivo, o homem segurou o copo que lhe trouxeram e o bebeu. Mal havia tragado a última gota, caiu como ferido por um raio. De nada adiantou o óleo de rícino que ministraram. Seu genro, que estava presente, o identificou como envenenado, provavelmente reconhecendo o cianureto de potássio que restava na caixinha vermelha”.



ALEXANDRE GOMES DE ARGOLO FERRÃO FILHO


ALEXANDRE GOMES DE ARGOLO FERRÃO FILHO

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Alexandre Gomes de Argolo Ferrão Filho, General do Exército Brasileiro e 1º  Visconde de Itaparica, nasceu em 8 de agosto de 1821.  Seu pai, Alexandre Gomes de Argolo Ferrã, foi o  1º Barão de Cajaiba.
Espelhando-se em seu progenitor, assentou praça, aos dezesseis anos  de idade, como 1º cadete no 1º Batalhão de Artilharia. Aos  dezessete, foi promovido a 2º tenente. Em 1840, em gozo de licença, na Bahia, apresentou-se  para participar da expedição que se destinava à província do Maranhão para lutar contra a “Balaiada”. O principal líder desta revolta, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, tinha o apelido de “Balaio”. Fabricava balaios e se revoltou depois que uma de suas filhas foi violentada por um policial. Procurando vingar-se, se tornou sanguinário e feroz, liderando um grupo que devastou o interior do Maranhão, matando, violentando e arrasando os locais por onde passava. O jovem Alexandre fez toda a campanha naquela província.
Regressando à Bahia, um ano depois, expedicionou para as províncias de São Paulo e Minas Gerais. Em 1844, foi promovido a capitaõ. Em 1847, foi agraciado com a comenda da Imperial Ordem  da Rosa, no grau de cavaleiro. Em 1849, foi distinguido com a comenda da Ordem de Cristo. Em 1852, foi promovido ao posto de major, A partir de então sua vida foi toda ela dedicada ao servido da pátria. Em 1868, assumiu o comando da 1ª divisão de infantaria do 2º corpo do exército. Nomeado conselheiro, foi  agraciado com o título de Visconde de Itaparica.
Na Guerra do Paraguai comandou o 2º corpo de exército, e após ter conquistado uma das vitórias mais importantes foi presenteado por Dom Pedro II com um título de nobreza.  Designado por Caxias para construir a estrada do Grão-Chaco, que permitiu que as forças brasileiras executassem a famosa marcha de flanco através do chaco paraguaio. Conta-se que antes de iniciar a construção, Caxias indagou se ele achava viável a construção. O Visconde, sem pestanejar, respondeu: “Marechal ! Se for possível, está feita! Se for impossível, vamos fazê-la!” O Visconde participou da Batalha de Tuiuti e da Batalha de Itororó, onde foi ferido. Antônio Loureiro de Souza, referindo-se a bravura do Visconde, afirmou: “O grande Caxias, com quem serviu, tinha-o em alta conta, não se cansando de elogiá-lo em várias ordens do dia. Soube ser, assim, um grande patriota, desses que pela impavidez e pelo patriotismo, se inscreveram na história nacional.
Em 1869, deixou o Paraguai e, um ano depois, no dia 23 de junho, faleceu em consequência do ferimento de que foi vítima durante a Batalha do Itororó.
 
 
 
 
 




JOAUIM MARCELINO DE BRITO


JOAQUIM  MARCELINO  DE  BRITO

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Joaquim Marcelino de Brito, nasceu em Salvador, em 2 de junho de 1799, sendo seus pais o Capitão Manuel Joaquim de Brito e Ana Maria da Silva.

Desde cedo demonstrou possuir excepcionais qualidades, merecendo de seus mestres muitos elogios. Em 1817, após concluir os estudos preparatórios, matriculou-se na Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, onde recebeu o grau de Doutor em 3 de junho de 1822.
Em 6 de agosto do mesmo ano, partiu para o Brasil com o  propósito de exercer a profissão de advogado em sua terra natal. A Bahia  estava envolvida pela guerra da Independência. Não havendo navio para Salvador, Marcelino resolveu ir para Pernambuco. Embarcou em 18 de setembro de 1822. Chegando na capital pernambucana,  ali demorou pouco mais de um mês. Em 27 de novembro foi para o Rio de Janeiro onde se apresentou ao Imperador D. Pedro I.  O Imperador  nomeou Marcelino, por decreto de 13 de janeiro de 1823, Juiz de Fora da cidade da Fortaleza, capital da província do Ceará. De posse de sua nomeação, Marcelino partiu para Pernambuco, e daí para Fortaleza, onde chegou no dia 14 de junho de 1823.
Estando vago o lugar de Ouvidor Geral, Joaquim Marcelino  ocupou o cargo interinamente. Como Ouvidor Interino, visitou quase todas as vilas da comarca. Quando estava em Vila Viçosa, teve conhecimento da dissolução da Assembleia Geral Constituinte e dos distúrbios surgidos na capital da província. Ciente da gravidade da situação, se deslocou para Fortaleza e ali se deparou com o movimento revolucionário conhecido como "Confederação do Equador", que  determinou sua prisão. Foi conduzido para bordo de um navio inglês, que se achava fundeado no porto. O  comandante da embarcação o recebeu não como um prisioneiro mas como uma autoridade coagida.  Assim, o conduziu para Liverpool, onde chegou apenas com a roupa do corpo. O navio ancorou em 15 de junho de 1824. Marcelino saltou para terra, onde permaneceu até o dia 23 de julho, quando resolveu voltar para o Rio de Janeiro.

Chegando no Brasil, apresentou-se ao Imperador D. Pedro I que elogiou os serviços por ele prestados e informou tê-lo  nomeado, em 12 de maio, Ouvidor da comarca de Sergipe.

Em 22 de dezembro, Marcelino partiu para Salvador e dali se encaminhou para Sergipe.  Chegou em São Cristóvão, então capital de Sergipe   em 8 de março de 1825. No mesmo ano foi eleito deputado pelo Ceará e, ainda em Sergipe, recebeu o diploma de deputado. Deixou a Ouvidoria de Sergipe no dia 6 de fevereiro de 1827 e partiu  no mesmo dia  para a Bahia e dali para o Rio de Janeiro, onde tomou assento na Câmara dos Deputados. Quando assumiu o cargo, já estava nomeado Desembargador de Pernambuco por decreto de 12 de outubro de 1826.

Encerrada a última sessão legislativa, partiu para a Bahia, e dali para Pernambuco onde tomou posse como Desembargador no dia 9 de fevereiro de 1830. Como Desembargador permaneceu até 15 de abril do mesmo ano, quando voltou para a Câmara dos Deputados (eleito pela província de Sergipe).
Por carta imperial de 20 de outubro de 1830, Marcelino foi nomeado presidente de Sergipe. Em 5 de abril de 1831 passou o governo ao vice-presidente e reassumiu o cargo de deputado. Com a abdicação de D. Pedro I, foi requisitado pela regência provisória para reassumir a presidência de Sergipe, onde os ânimos estavam agitados. Manteve-se como  Presidente até que, sentindo sua saúde abalada por excesso de trabalho, pediu demissão, o que foi negado. Apesar da proibição, passou o governo ao vice-presidente e foi para o Rio de Janeiro, onde chegou  em 15 de maio. Tomou posse na Câmara dos Deputados no dia 17 do mesmo mês e em junho foi eleito seu vice-presidente. Insistiu mais uma vez em sua renúncia à presidência de Sergipe, o que foi aceito em 15 de julho de 1833. Em reconhecimentos aos serviços prestados, foi convidado para assumir um dos ministérios do Governo Imperial, o que recusou preferindo continuar como magistrado.
Em 3 de fevereiro de 1834 foi transferido da Relação de Pernambuco para a da Bahia, onde tomou posse no dia 28 de maio.
Em 27 de setembro de 1835, em virtude do impedimento do presidente da Bahia, foi convocado para substituí-lo, assim permanecendo até 26 de março de 1836. Nas eleições realizadas logo depois foi eleito deputado pela Bahia, pelo que interrompeu o exercício de desembargador, tomando posse na Câmara dos Deputados em abril de 1838.
Em 1840 foi eleito presidente da Câmara dos Deputados e reeleito nos exercícios seguintes. Presidiu as sessões em que foi discutida a questão da maioridade de D. Pedro II, discussões que culminaram com a proclamação da maioridade, em 23 de julho.

No ano seguinte voltou ao Parlamento, assistindo como membro da Câmara dos Deputados  à coroação do Imperador, em 18 de julho daquele ano.
Reeleito deputado pela Bahia, tomou posse no dia 1º de maio. Sendo neste mesmo dia lido o decreto da dissolução da Câmara e convocada outra para  1º de novembro, voltou para a Bahia para dar continuidade ao seu ministério de desembargador da Relação, nele se aposentando em 12 de julho do mesmo ano.
Por carta imperial de 16 de abril de 1844, foi nomeado presidente de Pernambuco, cargo em que foi empossado em 4 de junho. Encontrou na província uma luta encarniçada entre os partidos políticos. Não querendo envolver-se na disputa, pediu  demissão, o que foi aceito em 23 de setembro do mesmo ano.

Regressou à Bahia, onde foi eleito, em 1846, mais uma vez, para a Câmara dos Deputados.

Em 2 de fevereiro foi nomeado Ministro do Império, e Ministro Interino da Justiça e, por decreto de 2  de maio de 1846, Ministro  Interino da Justiça. Ocupou, também em caráter provisório, a pasta da Fazenda e a  Presidência do Tesouro  Nacional. Em 22 de maio de 1847, solicitou demissão do ministério.
Em 1852, foi mais uma vez eleito para a Câmara dos Deputados como representante da Bahia.
Em 12 de outubro de 1855 foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal de Justiça, motivo pelo qual não  continuou residindo na Bahia. Em 5 de fevereiro de 1864, foi nomeado Presidente desta alta corte.  A este cargo foi reconduzido quatro vezes (em 1867, 1870.1873 e 1876).
Recebeu, além de outras honrarias,  as comendas da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem da Rosa, o título de Conselheiro do Imperador, o foro de Fidalgo Cavaleiro e a Grã Cruz do Hábito de Cristo.
O Ministro Marcelino de Brito faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de janeiro de 1879. Foi  sepultado no Cemitério da Ordem de São Francisco de Paula, em Catumbi.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
    
 
 
 
 

          

ANTÔNIO PITANGA


ANTÔNIO PITANGA
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Antônio L. Sampaio, ator e autor de cinema, teatro e televisão, mais conhecido como “Antônio Pitanga”, nasceu em Salvador, em 13 de junho de 1939.  O sobrenome Pitanga veio de seu papel no filme “Bahia de Todos os Santos”, rodado em 1960.
Passou sua infância e adolescência na Bahia, após o que se mudou para o Rio de Janeiro onde vive e faz cinema, teatro e televisão. No cinema fez “O Homem que Desafiou o Diabo” (2007), “Zuzu Angel” (2006) e mais 54 filmes. Na televisão participou de novelas como “O Clone” (2001), “Celebridade” (2003), “A Próxima Vítima” (1995) e mais 32 trabalhos entre novelas e mini-séries. No teatro, fez  “Hair”, em 1970 e participou da primeira monagem de  “Após a Chuva” (2007/2008).

No cinema começou com o filme “Bahia de Todos os Santos”, do qual tirou o sobrenome famoso. Depois, por ordem cronológica, fez mais 54 filmes: Weit ist der Weg (1960), A Grande Feira (1961), O Pagador de Promessas (1962), Tocaia no Asfalto (1962), Barravento (1962), Ganga Zumba (1963), Senhor dos Navegantes (1963), Sol sobre a Lama (1963), Os Fuzis (1964), Lampião, o Rei do Cangaço (1964), Mitt hem ar Copacabana (1965), Samba (1965), Menino de Engenho (1965), A Grande Cidade (1966), Mar Corrente (1967), Cangaceiros de Lampião (1967), A Mulher de Todos (1969), Tropici (1969), Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969). Corisco, o Diabo Loiro (1969), Em Compasso de Espera (1969), Jardim de Guerra (1970). República da Traição (1970), Juliana do Amor Perdido (1970), Vozes do Medo (1972), Quando o Carnaval Chegar (1972), Uma Negra Chamada Terea (1973), Mestiça, a Escrava Indomável (1973), Um Homem Célebre (1974), Os Pastores da Noite (1975), Joanna Francesa (1975). Crueldade Morte (1976), Cordão de Ouro (1977), Ladrões de Cinema (1977), Na Boca do Mundo (1978), A Deusa Negra (1978), A Idade da Terra (1980), Rio Babilôni (1982), O Homem do Pau Brasil (1982), Quilombo (1984), O Rei do Rio (1985), Chico Rei (1985), La mansión de Araucaima (1986), Eternamente Pagu (1987), Dedé Mamata (1988), O Quinto Macaco (1990), Barrela – Escola de Crimes (1990), Mauá – O Imperador e o Rei (1999), Villa Lobos, uma Vida de Paixão (2000), A Terceira Morte de Joaquim Bolivar (2000), ABC (2003), Apolonio Brasil, O Campeão da Alegria (2003), Mulheres do Brasil (2006). Zuzu Angel (2006), O Homem que Desafiou o Diabo (2007).
Na televisão não foi menos brilhante. Por ano de lançamento, suas principais participações são: Ana (1968), Vidas em Conflito, Sangue do Meu Sangue (1969), O Homem que Deve Morrer (1971), Jerônimo, O Heroi do Sertão (1972), Os Ossos do Barão (1973). Ovelha Negra (1975), O Astro, Espelho Magico, O Espantalho (1977). Rosa Baiana, Terra do Sem Fim (1981), Caso Verdade (1982), Bandidos da Falange (1983), Partido Alto, Meu Destino É Pecar (1984), Tenda dos Milagres, Tudo em Cima, Roque Santeiro (1985), Dona Beija (1986), Corpo Santo (1987), Olho por Olho (1988), Kananga do Japão (1989), A História ide Ana Raio e Zé Trovão (1990), O Fantasma da Opera (1991), Guerra sem Fim (1993), Incidente em Antares (1994), A Próxima Vítima (1995), O Rei do Gado (1996), Louca Paixão (1999), O Cravo e a Rosa (2000), o Clone (2001). Celebridade, Agora é que São Elas (2003), Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007). Os Mutantes – Caminhos do Coração, Casos e Acasos, Faça Sua História (2008), S,O,S, Emergência, Cama de Gato (2010), Lado a Lado, Malhação (2013).
No teatro, Hair (1970) e Após a Chuva (2007/2008).

Antõnio Pitanga foi casado em primeira núpcias com a atriz Vera Manhães e com ela teve dois filhos que são também atores, Rocco Pitanga e Camila Pitanga. Depois, casou-se com Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro. Com Benedita da Silva  está unido há mais de 25 anos. “Eu sou do carnaval e ela é da Igreja. Eu sou o pecado e ela é a cura”, diz ele.

Antônio Pitanga saiu fantasiado de Zumbi dos Palmares, no enredo “Kizomba, a Festa da Raça” em um dos últimos carnavais cariocas. Também se apresenta nos carnavais portenhos, nos chamados “Carnaval em San Luis” (hoje com várias  edições). “O evento na Argentina, diz ele, ao contrário da previsão inicial dos chefões das escolas de samba, tem sido um sucesso. O povo da cidade adotou a idéia e esse ano as escolas do Rio receberão um auxílio de mil componentes treinados por lá. Eles desfilam por uma passarela que tenta reproduzir o Sambródomo carioca. Eu gosto de ver o pessoal acostumado ao ritmo do tango cair no samba”. Finalizando, afirma: “Eu nunca conjugo o verbo “não posso”. Eu posso qualquer coisa. Sou uma fruta que dá em qualquer canto. Às vezes é azeda, às vezes é doce. Mas é sempre boa de chupar”.
Poucos artista têm uma bagagem artística comparável a dele.

LUCÍLiA FRAGA



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Lucilia Fraga, professora, desenhista e pintora baiana, nasceu em  6 de novembro de 1895, em Caetité, cidade onde  a  família Fraga teve grande importância sócio-política até o final do século XIX. Suas irmãs Helena e Anita foram artistas plásticas.
Na juventude transferiu-se para São Paulo, estabelecendo sua residência inicialmente em Jaú e, alguns anos depois, de modo definitivo, na capital. Desde o início de sua carreira manteve-se fiel ao academismo, tendo sido aluna de representantes desta escola, em São Paulo (Pedro Alexandrino e Antônio Rocco) e no Rio de Janeiro (Henrique Bernadelli). Foi discípula de  Pedro Alexandrino durante nove anos
Na capital de São Paulo, ensinou desenho na Escola Padre Anchieta, no bairro do Brás, integrou  as comissões de seleção e premiação do Salão Paulista de Belas Artes (1949 e 1968) e organizou várias mostras e exposições,  Especializou-se na pintura de flores, embora produzisse também paisagens e marinhas.
Sua primeira exposição individual foi em 1929. Nesse ano expôs no Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (Menção Honrosa de Primeiro Grau). No mesmo Salão, no ano seguinte, recebeu a  Pequena Medalha de Prata e em 1969, no Salão Paulista de Belas Artes, ganhou a Pequena Medalha de Ouro. Suas exposições permaneceram no circuito Rio-São Paulo, com exceção das mostras em Buenos Aires (1935 e 1937), em Salvador (em 1949) e Piracicaba (1970). Sua última exposição foi em Santos, em 1970. No total, participou de 26 exposições (9 individuais e 17 coletivas).
Ao longo de sua carreira recebeu diversas premiações

Lucília se dedicou retratando flores, especialmente orquídeas. Suas obras são encontradas em coleções particulares, no Centro Cultural São Paulo e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Dentre seus ex-alunos destacamos sua irmã Helena e as artistas Ernestina Karman e Colette Pujol.

A respeito de Lucilia Fraga, disse José Roberto Teixeira Leite: [. “Como artista, a despeito de evidente sensibilidade cromática, caracterizou-se por uma visão conservadora, tradicionalista, dos seres e das coisas, reproduzindo mais do que interpretando”. O talento artístico  de Lucília Fraga foi descoberto em 1929, quando o  “O Estado de São Paulo”, em sua edição de 29 de novembro,  publicou o seguinte: "A senhorita Lucília Fraga é uma antiga discípula do Professor Pedro Alexandrino. Apresenta agora, pela primeira vez, sob sua responsabilidade individual, uma coleção de trabalhos a óleo e a pastel. Limita-se a um gênero - flores - que trata em 120 trabalhos. O êxito desta exposição está assinalado pela rápida aquisição de mais de dois terços das obras expostas. Corresponderá o valor dos trabalhos a essa excepcional aceitação por parte do público? Se deduzirmos do movimento total de compras o que ali entra como efeito de relações pessoais, ainda fica para a talentosa pintora um saldo considerável que representa um legítimo sucesso artístico.  A senhorita Fraga é, incontestavelmente, um temperamento de pintora e teve a felicidade de receber a sábia orientação de Pedro Alexandrino. O ilustre mestre soube dar-lhe um sólido preparo, respeitando-lhe a individualidade. Correta no desenho, forte colorista, a senhorita Fraga possui também o senso da composição. É claro que a sua personalidade apenas se esboça e que só de agora em diante, graças ao seu preparo técnico, a talentosa artista procurará dar soluções autônomas aos problemas pictóricos que se lhe depararem. Desde já, porém, os seus trabalhos têm um grande interesse e muitos deles representam um esforço notável conduzido a termo feliz. Grandes composições bem resolvidas e de uma rara harmonia, estudos de técnica robusta e surpreendente força de colorido, interpretações reveladoras de uma fina sensibilidade e, em geral, sobriedade e elegância no arranjo dos modelos. Com a sua brilhante afirmação atual muito nos promete ainda a senhorita Fraga. É um valor novo que vem enriquecer o elenco dos pintores paulistas".
Lucilia Fraga faleceu em São Paulo, no dia 11 de julho de 1979.
Após a sua morte foram realizadas 4 exposições de seus trabalhos:
1982 - São Paulo SP - 45º Salão Paulista de Belas Artes, no Paço das Artes
1998 - Rio de Janeiro RJ - Marinhas em Grandes Coleções Paulistas, no Museu Naval e Oceanográfico
2003 - São Paulo SP - Pintores do Litoral Paulista, na Sociarte
2004 - São Paulo SP - Mulheres Pintoras, na Pinacoteca do Estado
 
 






sexta-feira, 20 de junho de 2014

BARATA RIBEIRO


CÂNDIDO  BARATA  RIBEIRO
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Cândido Barata Ribeiro, ou simplesmente Barata Ribeiro, político, médico e escritor, nasceu em Salvador, em 11 de março de 1843, sendo seus pais José Maria Cândido Ribeiro e Veridiana Barata Ribeiro.
Foi para o Rio de Janeiro aos dez anos de idade, matriculou-se no Mosteiro de São Bento, onde estudou os preparatórios. Residiu, por concessão especial, num dos quartos daquele convento e. para se manter, enquanto estudava lecionava o que aprendia.

Concluídos os preparatórios, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde, em dezembro de 1867, recebeu o grau de doutor em Ciências Médicas e Cirúrgicas. Durante o curso de medicina, foi interno de Clínica Médica e Cirúrgica e preparador de Anatomia.

Formado, foi clinicar na cidade de Campinas, em São Paulo, onde foi Diretor do Serviço Médico e Cirúrgico do Hospital de Caridade e criou uma escola para crianças pobres. Em 1874, foi nomeado Comissário Vacinador da província de São  Paulo.  
Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, entrou em concurso para o magistério da Faculdade de Medicina e, aprovado, foi nomeado Lente Catedrático daquela faculdade, por decreto de 25 de março de 1883.
Na capital do Império, revelou-se grande defensor da abolição da escravatura e do regime republicano. Proclamada a República, ocupou, em 1891, o cargo de Presidente do Conselho Municipal.  No ano seguinte, foi empossado no cargo de Prefeito do Distrito Federal. Fez uma administração curta mas, assim mesmo, realizou  fecundo trabalho. Combateu as epidemias de febre amarela, varíola e tuberculose. O fato marcante do seu governo foi a demolição das estalagens anti-higiênicas e cortiços do centro da cidade, O maior dos cortiços,  com cerca de quatro mil pessoas, era o “Cabeça de Porco”, situado na atual Zona Portuária. Calcula-se que existiam naquela época,  no centro do Rio de Janeiro, seiscentos cortiços, o que correspondia a  25%  da população carioca. Os despejados migraram para os morros, dando origem as famosas “favelas”. O Prefeito Barata Ribeiro só permaneceu no cargo até 26 de maio porque foi vetado pelo Senado, em virtude dos problemas políticos relacionados com as normas disciplinadoras que implantou.

Em uma época extremamente agitada, Barata Ribeiro mereceu o respeito e  consideração de  seus adversários. Sofreu, apesar disso, um grande constrangimento. Em 23 de outubro de 1872 foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal e tomou posse em 25 de novembro.  Depois de empossado, sua nomeação foi submetida ao crivo do Senado da República, e este, em sessão secreta realizada em 24 de setembro de 1894, negou a  aprovação, por não lhe reconhecer “notável saber jurídico”, requisito fundamental para o cargo. Naquele tempo o pronunciamento do Senado podia ocorrer depois da posse, e assim, ao cabo de dez meses e quatro dias de ter exercido o cargo, Barata Ribeiro foi obrigado a deixá-lo. Muito ligado ao então presidente Floriano Peixoto, acabou atingido pela maioria oposicionista que dominava o Senado, o mesmo Senado para o qual foi eleito anos depois. Em toda a história desta alta Corte, somente quatro outros nomes foram vetados pelo Senado: Ewerton Quadro, Inocêncio Galvão de Queiroz, Antônio Sève Navarro e Demósthenes da Silva Lobo. Floriano Peixoto, autor das cinco nomeações, cometeu freqüentes ilegalidades e ameaçou o Supremo Tribunal Federal diversas vezes.
Em 30 de dezembro de 1899, Barata Ribeiro foi eleito Senador pelo Distrito Federal, e empossado em 25 de maio do ano seguinte para um mandato que se estendeu até 1909.
Era membro emérito da Academia Nacional de Medicina e sócio de várias outras instituições científicas e culturais. Foi um pioneiro na utilização do Raio X no diagnóstico clínico dos osteosarcomas, São importantes seus estudos sobre o pé torto congênito, a tuberculose óssea e articular, as deformidades raquíticas com a utilização combinada, ou não, de aparelhos gessados. Escreveu diversos trabalhos sobre ortopedia, inclusive manuais e monografias, e realizou conferências sobre assuntos de sua especialidade. Como homem de letras deixou algumas peças de teatro das quais destacamos “O Segredo do Lar” (de inspiração abolicionista, encenada em 1872). Dentre os livros que publicou destacamos “Mulheres que Morrem”, “O Soldado Brasileiro”, “A Mucama” e “O Divórcio”.

Em sua passagem  pela  vida pública, nunca recebeu vencimentos.
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Cercado do reconhecimento público e da estima de seus contemporâneos, faleceu na Santa Casa do Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1910.  Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São João Batista.
Uma das principais ruas de Copacabana tem o seu honroso   nome. Também é patrono do Hospital referência em Ortopedia, Cirurgia Plástica e Odontologia para pacientes especiais do município do Rio de Janeiro, localizado no bairro da Mangueira.