quarta-feira, 13 de agosto de 2014

MESTRE WALDEMAR DO PERO VAZ


MESTRE WALDEMAR
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Waldemar Rodrigues da Paixão, mais conhecido como Mestre Waldemar, Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz,  nasceu na Ilha da Maré, em 22 de fevereiro de 1916.
Em 1940, aos 34 anos de idade, levantou um barracão na invasão do Corta Braço, no bairro da Liberdade, e,  aos domingos, começou a praticar a capoeira.. Simultânemente, ensinou capoeira na rampa do mercado, na Cidade Baixa.
A partir dos anos cinquenta,  seu barracão da Liberdade atraiu acadêmicos, artistas e jornalistas. Os etnólogos Anthony Leeds e Simone Dreyfus gravaram o som de seu berimbau. o escultor Mário Cravo, o pintor Caribé  e a maior parte dos amantes da capoeira começaram a frequentar sua academia.  O números de simpatizantes continuou a aumentar até que, em 1956, começaram a entoar longos solos antes do jogo, inovando o que hoje chamamos “ladainhas”. Waldemar, entusiasmado com o sucesso, pintou seus berimbaus e  os vendeu aos visitantes e aos turistas. Esta prárica se transformou em uma fonte de renda para mestre Waldemar.
Apesar do seu talento, Waldemar se manteve retraido e assim permaneceu até uma idade avançada. Apesar de ser  bom capoeirista, bom cantor e tocador, mantendo-se afastado da mídia.
Nos anos oitenta, acometido de doença de Parkinson,  gravou CDs com Mesre Canjiquinha e a tal ponto se tornou famoso que deu seu nome a um dos bairros de Salvador.
“Um esporte que eu estimo é a luta de Angola”, dizia ele quando era abordado por jornalistas.
Seus mestres foram Seri de Mangue, Tanabi. Canário Pardo e Mestre Ricardo do Cais do Porto.
Waldemar era frequentador assíduo das festas de largo e ensinava capoeira promovendo  “rodas”, que se tornaram célebres pelas “ladainhas” cantadas como um diálogo entre  birimbaus, birimbaus que ele fabricava e se notabilizaram  por  sua beleza e qualidade.
Temido e respeitado, reuniu muitos admiradores., tornando-se famoso pela diversidade dos jogos que praticava, dos mais lentos aos mais combativos, com preferência pelos primeiros.
Cercado da admiração de seus discípulos, faleceu em Salvador, no ano de 1990.  No livro “Bahia: Imagens da Terra e do Povo”, publicado em 1964, Odorico Tavares assim descreve uma roda de Waldemar no Domingo a tarde, no Corta Braço: “Com os tocadores ao seu lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número de dois, estão de cócoras, à sua frente. É lenta a toada que o mestre canta , como solista e já os capoeiristas acompanham-no em movimentos mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olha o visitante atentamente, como se aqueles homens nem ossos tivessem, seus membros parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora.(…) Os homens não se tocam para defesa e ataques que se sucedem em imprevistos de segundos. É um milagre em que a violência de um ataque resulta em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere, ninguém se agride. É combate, é baile que dura horas.”
Mestre Waldemar sempre procurou um bom convívio com todos os capoeiristas recebendo-os em seu barracão com muito respeito e também sendo muito respeitado. O seu reconhecimento com Mestre evitava conflitos provocados pelos chamados ‘valentões’. Sobre esses conflitos Waldemar nos conta: “Barulho eu nunca tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado, nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, Mestre que aparecia aqui, a minha cabeça resolvia.(…) Me respeitavam muito os meus alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava para eles assim, eles vinha pro pé de mim e ninguém brigava.”
O canto e o toque de berimbau não eram suas única habilidades o mestre também era um exímio jogador de capoeira. Ele relembra: “Quando eu jogava, eu dizia: toque uma angola dobrada. É um por dentro do outro, passando, armando tesoura, se arriando todo. Parece que eu tô vendo eu jogar. Eu joguei muito.(…) Eu gostava de jogar lento, pra saber o que faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra qualquer um menino desse jogar, e ele jogo sem defeito. Para os meus alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: são bento pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo : ‘de cima para baixo’, e ele sabe que é são bento grande. Para viola eu digo: ‘repique’, e ele bota a viola pra chorar.”


 

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