domingo, 11 de novembro de 2012

PEDRO CALMON


PEDRO CALMON
 





Pedro Calmon Moniz de Bitencourt, mais conhecido como Pedro Calmon, professor, político, historiador, biógrafo, ensaista e orador brasileiro, nasceu em Amargosa, no dia 23 de dezembro de 1902, sendo seus pais Pedro Calmon Freire Bittencourt e Maria Romana Moniz de Aragão Calmon de Bittencourt.
Em 1920 ingressou na Faculdade de Direito da Bahia, onde cursou os dois primeiros anos do curso de Direito. Depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu os estudos acadêmcos e secretariou a Comissão Promotora dos Congressos Comemorativos do Centenário da Independência do Brasil.
Logo após a conclusão do curso de Direito, em 1924, foi secretário particular do Ministro da Agricultura e, em seguida, mediante concurso, assumiu o cargo de Conservador do  Museu Histórico Nacional. No exercício desta função realizou ampla reforma administrativa do Museu , criou a cadeira de História da Civilização Brasileira e escreveu um livro sobre o assunto.
Em 1926, assumiu a tribuna do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ocasião em que proferiu conferência sobre o terceiro centenário da expulsão dos holandeses. Em 1931 passou a sócio efetivo do referido Instituto, orador oficial (1938-1968) e presidente (1968).
Em 1927, ingressou na política: foi Deputado Estadual pela Bahia (1935), Deputado Federal (1935 e 1950) e Ministro da Educação e Saúde (1950-1951).
A partir de 1923, Pedro Calmon publicou, conforme a Academia Brasileira de Letras, cerca de 50 obras, nas áreas de Biografia e Literatura Histórica; História e Direito. São encontradas também, contribuições suas na Revista da Academia Brasileira de Letras, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e na Revista "O Cruzeiro".
 
Merecem destaque, a títlo de exemplo, as seguintes obras: ”Pedras d”armas” (1923), “Direito de Propriedade” (1926 ,“O tesouro de Belchior” (1929), “Anchieta, o santo do Brasil” (1930). “O crime de Antônio Vieira” (1931), “D.Pedro I”, “Gomes Carneiro, o general da República” “Marquês de Abrantes”, “Por Brasil e Portugal. Sermões do Padre Vieira, anotados, “Malés, a insurreição das senzalas” e “O rei do Brasil: Vida de D. João VI”  (todos em 1933); “Vida e amores de Castro Alves”(1935); “O rei filósofo: A vida de Pedro II” (1938); “Figuras de azulejo” (1939); “Princesa Isabel, a Redentora” (1941); “História do Brasil na poesia do povo” (1941); “Estados Unidos de leste a oeste” (1942); “A vida de Castro Alves” (1947); “História da literatura baiana” (1949); “Castro Alves: o homem e a obra” (1973) e “Para melhor conhecer Castro Alves” (1974).
 
Seus principais ensaios históricos contemplam os seguintes títulos:
-A conquista: história das bandeiras baianas (1926);
-História da Bahia (1927);
-História da Independência do Brasil, separata da Revista do Instituto Histórico (1929);
-História da civilização brasileira (1932);
-História social do Brasil, 1º vol.: Espírito da sociedade colonial (1935); 2º vol.: Espírito da sociedade -Imperial (1937); 3º vol.: A época republicana (1939);
-História da Casa da Torre (1939);
-História do Brasil, 1º vol.: As origens (1939); 2º vol.: A formação (1941); 3º vol.: A organização    (1943); 4º vol.: O Império (1947); 5º vol.: A República (1955);
-História diplomática do Brasil (1941);
-Brasil e América: História de uma política (1941);
-História da fundação da Bahia (1949);
-O segredo das minas de prata, tese de concurso (1950);
-Brasil, com Jaime Cortesão (1956);
-História do Brasil, 7 vols., ilustrados (1959);
-Brasília, catedral do Brasil: história da Igreja no Brasil (1970);
-História do Ministério da Justiça 1822-1922 (1972);
-História de D. Pedro II. 5 vols., ilustrados (1975);
-Franklin Dória, Barão de Loreto (1981).
No campo jurídico, destacamos:
Direito de propriedade (1926); Reforma constitucional da Bahia (1929); A federação e o Brasil, tese para a docência (1933); Intervenção federal, tese para a cátedra (1939); Curso de Direito Constitucional (1937);Curso de Teoria Geral do Estado (1941);O Estado e o Direito nos "Lusíadas" (1945); História das idéias políticas (1954).
Em 1929, Pedro Camon foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e em 1934 torou-se, por concurso, livre docente de Direito Público Constitucional na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.
Em 1939, conquistou a cátedra e, em seguida, foi eleito diretor da Faculdade de Direito, por dois períodos sucessivos (1938 a 1948).
Em 1948, ascendeu à Reitoria da Universidade do Brasil, cargo que ocupou com excepcional brilho e invejável prestígio, de 1948 a 1966.
Em 1935, regeu a cadeira de História da Civilização Brasileira na Universidade do Distrito Federal.
Também foi professor da  Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (desde a sua fundação, em 1940) e da Faculdade de Filosofia da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro.
Em 1955, conquistou a cátedra de História do Brasil do Colégio Pedro II.
Dentre seus inúmeros títulos e honrarias, destacamos o de professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro; doutor honoris causa das Universidades de Coimbra, Quito, Nova York, San Marcos e Nacional do México; professor honorário da Universidade Federal da Bahia; representante do Equador na Conferência Pan-Americana de Geografia e História; delegado do Brasil à Conferência Internacional do México em 1945 e na Conferência Interacadêmica para o Acordo Ortográfico em Lisboa, em 1945; membro titular da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e dos Instituto Históricos de vários Estados brasileiros; membro corrresponde da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História; sócio honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Real Academia Espanhola e da Real Academia de História da Espanha; sócio correspondente de sociedades culturais e históricas de diversos países da América Latina; membro do Conselho Federal de Cultura, do Conselho Editorial da Biblioteca do Exército e diretor do Instituto de Estudos Portugueses Afrânio Peixoto e do Liceu Literário Português (desde 1947).
O ilustre baiano faleceu no Rio de Janeiro no dia 16 de junho de 1985.
 

sábado, 10 de novembro de 2012

ANTÕNIO LOUREIRO DE SOUZA



ANTÕNIO LOUREIRO DE SOUZA


 
 


Antônio Loureiro de Souza , jornalista e escritor de renome, nasceu em Cachoeira, no dia 13 de junho de 1913, sendo seus pais Adolfo Loureiro de Souza e Laura Loureiro de Souza. 
Ainda criança, morou no município de Castro Alves, indo depois para a cidade do Salvador, onde foi aluno do Ginásio Carneiro Ribeiro.
Em 1933, mudou-se para a cidade de Castro Alves, onde fundou o jornal “O Tempo” e foi gerente do Banco de Administração.
Regressando à terra natal, chefiou a redação do periódico “O Social”.
Voltando a morar em Salvador, integrou a equipe do jornal “A Tarde”, onde, além de redator do “Diário da Bahia”, manteve a seção de crítica “Autores e Livros” e  colaborou no “O Imparcial” e no “Estado da Bahia”.
Em 1952, bacharelou-se pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, da qual se tornou professor de História da Comunicação.
Também  foi professor da Escola de Bibliotecnomia e Comunicação da UFBa, onde ensinou História da Imprensa.
Foi membro atuante de  várias instituições culturais e de classe, tais como o Conselho Estadual de Cultura, Associação Baiana de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Instituto Genealógico da Bahia, Instituto Histórico de São Paulo, Academia de Letras da Bahia e Academia de Letras e Artes Mater Salvatori.
Foi Superintendente da Difusão Cultural do Estado da Bahia, Diretor do Arquivo Histórico da Prefeitura Municipal de Salvador e Diretor do Departamento de Turismo de Salvador.
Escreveu diversos livros, dentre os quais destacamos; “Baianos Ilustres” (vencedor do Prêmio Carlos de Laet, da Academia de Letras, em 1950), “Balzac”, “Pedro de Barros”, “Gregório de Matos e Outros Ensaios” e “Notícia Histórica da Cachoeira”.
Faleceu em Salvador, no dia 29 de abril de 1989, ocasião em que foi saudado por Clóvis de Lima (pela Academia de Letras da Bahia), Consuelo Pondé de Sena (pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia) e Terezinha Café (pelo Teatro Espírita Leopoldo Machado).
 
 

 




 

CLAUBER ROCHA



GLAUBER ROCHA





Clauber de Andrade Rocha, mais conhecido como Clauber Rocha, cineasta, ator e escritor de renome, nasceu em Vitória da Conquista, no dia 14 de março de 1939, sendo seus pais Admastor Bráulio Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha.
Alfabetizado pela sua mãe, cursou os primeiros anos fundamentais no Colégio do Padre Palmeira, em sua cidade natal.
Em 1947, mudou-se com a família para Salvador, onde foi aluno do  Colégio 2 de Julho. Data desta época sua primeira participação em programas de rádio, grupos de cinema e de teatro amador.
Em 1959, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e iniciou a filmagem de sua primeira produção, denominada “Pátio”.
Em 1961 abandonou a Faculdade de Direito e iniciou a carreira jornalísitca, sem deixar, em nenhum momento, sua paixão pelo cinema.
Ainda estudante de direito, converteu-se ao catolicismo, foi batizado e casou-se com sua colega de Faculdade, Helena Ignez.
De sua autoria são os  longa-metragens “Barravento” (1962), “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), ‘Terra em Transe’ (1967) e  “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1968), “Cabeças Cortadas” (1970), “O Leão de Sete Cabeças”(1971), “Câncer” (1972), “Claro” (1975) e “A Idade da Terra” (1980), em sua maioria, filmes paradigmáticos, nos quais, utilizando uma nova forma de filmar, realizou amargas críticas à sociedade de sua época.
De sua lavra são, de igual modo, vários curtas-metragens, tais como: “Pátio” (1959), “A Cruz na Praça” (1959), “Amazonas, Amazonas”m91965), “Maranhão 66” (1966), “História do Brasil” (1974), “A Arams e o Povo” (1974), “Di Cavalcanti” (1977, Melhor Curta-metragem no Festival de Cannes, indicado para Palma de Ouro)
Glauber Rocha foi um  entusista do cineclubismo e criador de sua própira  produtora cinematográfica.
Criou o chamado CINEMA NOVO, corrente artística nacional influenciada pelo movimento francês “Nouvelle Vague” e pelo “Neorrealismo Italiano”.
Fiel aos seus princípios e à sua paixão pelo cinema, pregou uma nova estética e uma revisão crítica da realidade, e  foi visto como subversivo, pelo regime militar instalado em 1964.
Com o filme “Barravento”, foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary (Tchecoslováquia), em 1963. No ano seguinte, com “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, conquistou o Grande Prêmio do Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco (México).
Com “Terra em Transe”, conquistou o Prêmio da Crítica do Festival de Canes (França), o Prêmio Luis Buñel (Espanha), o Prêmio de Melhor Filme do Locarno Internacional Film Festiva e o Gofinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro.
Com o filme “O Deragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, levou o o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, mais uma vez, o Prêmio Luiz Buñuel, na Espanha.
Em 1971, Glauber partiu para o exílio.
Perseguido pelos militares, contestado e incompreendido pelas lideranças da sua época, “Glauber se consumiu em seu próprio fogo”(Ferreira Gullar).
O grande cineasta, o maior do Brasil, faleceu vítima de septicemia, na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro, no dia 22 de agosto de 1981, depois de ter sido transferido de um hospital de Lisboa, onde permaneceu internado durante 18 dias.
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MESTRE BIMBA


MESTRE BIMBA
 
 
 
Manuel dos Reis Machado, mais conhecido como “Mestre Bimba”, o criador da Capoeira Regional da Bahia”, nasceu em Salvador no dia 23 de novembro de 1900, sendo seus pais Luiz Cândido Machado e Maria Martinha do Bonfim.
Recebeu este nome devido a uma aposta que sua mãe fez com a parteira que a atendeu.  De acordo com a aposta, o filho, se fosse do sexo masculino, receberia o nome de “Bimba” (alusão ao nome popular com que o órgão sexual masculino era conhecido na Bahia).
Mestre Bimba começou a praticar a capoeira aos 12 anos de idade, no bairro da Liberdade, com o africano Bentinho.
Aos 18 anos começou a ensinar capoeira nas esquinas, nas portas dos armazens e nos terrenos baldios de  Salvador.
Com o andar do tempo, achando que a capoeira estava perdendo seu valor cultural,  criou um estilo novo, inspirado no antigo “Batuque” (luta na qual seu pai era um grande lutador).
Em 1928, surgiu o que ele denominou “Capoeira Regional Baiana”..
O novo estilo ganhou as ruas e se tornou popular.
Em 1937, Juracy Magalhães, Governador da Bahia,  convidou Mestre Bimba para fazer uma apresentação no palácio, em presença do Presidente Getúlio Vargas e outros  convidados. O Presidente aplaudiu a iniciativa e declarou-se encantado com a novidade.
A Capoeira Regional Baiana foi considerada “Esporte Nacional”. Mestre Bimba foi reconhecido pela Secretaria de Educação e Assistência Pública da Bahia como Professsor de Educação Física.
Sua academia foi a primeira a ser legalmente reconhecida.
Mestre Bimba desenvolveu, pela  primeira vez, um sistema de ensino de capoeira e foi o primeiro a ministrar este sistema em recinto fechado. Elaborou técnicas próprias de defesa pessoal, inclusive contra armas brancas e armas de fogo.
Para ele e seus seguidores a capoeira tem princípios e preceitos próprios. É um modo de vida, um modo de ser e de atuar.
Éra voz corrente que Mestre Bimba aplicava uma “Gravata” no pescoço do candidato que quisesse aprender sua arte, e dizia: “Aguenta aí sem chiar”. Se o candidato aguentasse o tempo que ele mesmo determinava, seria matriculado. A este procedimento denominava “Batizado”. Depois, com o decorrer do tempo, passou a adotar métodos mais brandos para avaliar os pretendentes.
Depois de aprovado, o candidato passava a etapa seguinte, chamada “Sequência de Ensino”, constante de oito sequências de movimentos de ataque, esquivas e contra-ataque. Os calouros treinavam as sequências em duplas, sem o acompanhamento de instrumentos. Quando as sequências estavam bem decoradas, o Mestre dizia: “Amanhã você vai entrar no aço, no aço do Birimbau!”. O aprendizado durava alguns meses e só então o aluno era batizado.
No batizado o aluno lutava pela primeira vez na roda com o acompanhamento dos instrumentos (um birimbau e dois pandeiros). Escolhido o “nome de guerra” todos aplaudiam o noviciado e então o Mestre mandava o calouro pedir a “Benção” ao padrinho. A “Benção” consistia em um golpe frontal com a parte inferior do pé empurrando o adversário na altura do peito, de modo a jogá-lo no chão).
Para se formar em Capoeira Regional era necessário, pelo menos, 6 meses de treinamento. O exame era realizado em 4 domingos seguidos, na Academia do Meste, no Nordeste de Amaralina.
Durante 4 dias os alunos se submetiam a algumas situações onde teriam de mostrar os valores adquiridos em seu aprendizado: força, reflexo, flexibilidade, etc.
A formatura consistia em uma roda de formados antigos onde madrinhas, paraninfos e outros convidados deveriam ver o que era a Capoeira Regioanal. Mestre Bimba comandava a roda cantando as músicas caracterísitcas. Terminada a roda, o mestre chamava o orador (quase sempre um formando mais antigo) para fazer um breve histórico da Capoeira Regional e do seu criador, Mestre Bimba. Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (sinal de graduação) às madrinahs.  As  madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos respectivos afilhados. No final da formatura, os recém-formados lutavam com formados mais antigos os quais tentavam tirar as medalhas, aplicando golpes com os pés.
Em 1973, Mestre Bimba deixou a Bahia. Foi para Goiânia, onde faleceu em 5 de fevereiro do ano seguuinte.
 


 
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MENINHA DO GANTOIS


 
Menininha do Gantoi
 
 
Maria Escolástica da Conceição Nazaré, mais conhecida como Mãe Menininha do Gatois, Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, mãe de santo brasileira, filha de Oxum, nasceu em 10 de fevereiro de 1894, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de  Salvador.
Descende escravos africanos, foi escolhida, ainda criança,  para ser Iyálorixá por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários da Nigéria.
Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa Iyálorixá do Brasil.
Em 1922, por dos búzios, os orixás Oxóssi, Xangô e Obaluaiyê confirmaram o destino de Meninha do Gantois, a qual possuia na época 28 anos de idade.
Desta forma, no dia 18 de fevereiro de 1922, ela sssumiu o terreiro. “Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar”, disse ela.
No início do seu reinado lutou contra as restrições e proibições impostas pela Delegacia de Jogos e Costumes e abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos.
Em meados da década de 1970, graçs a influência de Meninha do Gantois,  tais restrições foram extintas.
Meninha do Gantois modernizou o candoblé, mas preservou  suas raizes e tradições.
Graças a sua influência, bispos da Igreja Católica permitiram que mulheres vestidas com as roupas tradicionais do candoblé, frequentassem as igrejas católicas.
Ela própria nunca deixou de assistir missas nas igrejas de Salvador.
Aos 23 anos de idade, casou-se como o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendentes de escosses e com ele teve duas filhas.
Meninha do Gantois é a responsável pela difusão e popularização do candoblé da Bahia.
Graças a sua sabedoria, sua humildade e firmesa de caráter, ela conseguiu agregar pessoas de todas as religiões em seu terreiro, inclusive personalidades do porte de Dorival Cayme, Caetano Veloso, Tom Jobim, Antônio Carlos Magalhães, Vinícius de Morias, os quais, diz o povo, não tomavam decisões sem consultá-la.
A grande Iyálorixá, a maior do Brasil, faleceu com 92 anos de idade, em sua cidade natal, cercada pela admiração e pelo respeito de todos os seus amigos, adeptos e seguidores.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ANÍSIO TEIXEIRA




 
ANÍSIO TEIXEIRA

 

Anísio Teixeira, ou melhor, Anísio Spínola Teixeira, advogado, educador e escritor de renome internacional, nasceu em Caetité, no dia 12 de julho de 1900.
Seu pai, o médico Deocleciano Pires Teixeira, político de grande prestígio na região, casou-se, sucessivamente, com três irmãs, sendo sua mãe a última delas.
Iniciou as primeiras letras em sua terra natal, onde foi aluno do Colégio São Luis Gonzaga, dos Irmãos Jesiítas.
Fez sua formação básica em Salvador, no Colégio Antônio Vieira,  a partir de 1914.
Influenciado pelo meio em que se educou, cogitou tornar-se Jesuíta, ao que seu pai se opoz tenasmente.
Ainda adolesceste, mereceu o reconhecimento público de Todoro Sampaio, o qual teceu sobre sua pessoa os maiores elogios.
Em 1922 diplomou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direiro da Universidade do Rio de Janeiro.
Em 1924 foi nomeado Inspetor Geral de Ensino da Bahia, cargo equivalente ao de Secretário da Educação.
Em 1925, viajou para a Europa, onde estudou o sistema educacional de diversos países.
Regressando à Bahia, implementou várias reformas no ensino do estado e ampliou o sistema educacional, com ênfase especial à formação de professores.
Dois anos depois foi para os Estados Unidos, onde entrou em contato com o filósofo e pedagogo John Dewey, do qual absorveu ideias e pensamentos.
Em 1928, voltou aos Estados Unidos, a fim de realizar cursos de pós-graduação.
Anísio Teixira tornou-se em pouco tempo o personagem central da educação brasileira. Difundiu os pressupostos do movimento da Escola Nova, a qual preconisa o desenvolvimento do intelecto  e a capacidade de julgamento, em preferência à memorização. Reformou o sistema educacional da Bahia e do Rio de Janeiro e exerceu com grande brilhantismo vários cargos de projeção, tanto no Brasil como no exterior.
Em 1931, foi Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, ocasião em que criou a integração da Rede Municipal de Educação, do ensino fundamental à universidade.
No ano seguinte, aderiu ao Movimento dos Pioneiros da Educação Nova, e saiu em defesa do ensino público gratuito, laico e obrigatório.
Em 1935, fundou a Universidade do Distrito Federal, depois transformada em Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.
Perseguido por Getúlio Vargas, regressou à Bahia, onde permaneceu até o ano de 1947.
Nessa ocasião foi Conselheiro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Regressando ao Brasil, foi, mais uma vez, Secretário da Educação da Bahia, ocasião em que fundou o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como “Escola Parque”, destinado à educação em tempo integral e modelo para os futuros CIACs e CIEPs.
Na década seguinte, dirigiu o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), posteriormente denominado Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, e a Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nivel Superior (atual CAPES), da qual foi o primeiro dirigente.
Nos anos sessenta foi um dos idealizadores do projeto da Universidade de Brasília (UNB), da qual foi reitor em 1963.
Anísio Teixeira, figura central da educação brasileira, faleceu em 11 de março de 1971, no Rio de Janeiro.
O dia 12 de julho é, em sua memória, feriado municipal em Caetité, sua cidade natal.
 *
Depoimentos sobre Anísio Teixeira:
 
JORGE AMADO:
…”Cidadão íntegro, puro, decente. Além de inteligentíssimo, dono de cultura invulgar, mestre inconteste no que se refere à educação, Anísio Teixeira foi um brasileiro raro. Tão extraordinário a ponto de ter sido alvo durante toda a vida de restrições, suspeitas, aleivosias, perseguições, misérias de todo tipo com que os imundos o perseguiram — sobram imundos no Brasil. Tentaram de todas as maneiras impedir Anísio Teixeira de realizar sua missão civilizadora mas ele era irredutível e invencível. O que o Brasil de hoje possui de melhor e de maior deve-se em grande parte a este humanista baiano de grandeza universal.”
 
 DARCY RIBEIRO
…”Anísio Teixeira é o pensador mais discutido, mais apoiado e mais combatido do Brasil. Ninguém como ele provoca a admiração de tantos. Ninguém é também tão negado e tem tantas vezes seu pensamento deformado (…) Suas teses educacionais se identificam tanto com os interesses nacionais e com a luta pela democratização de nossa sociedade que dificilmente se admitiria pudessem provocar tamanha reação num país republicano”.
 
 
 
 
 

FERNANDO FILGUEIRAS



FERNANDO FILGUEIRAS
 

 
Nasceu em Salvador, no início da secunda década do século XX.
De origem humilde, conseguiu, com sacrifício, terminar os preparatórios e ingressar na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual diplomou-se em 1941.
Formado, iniciou uma carreira profissional, de mais de cinqüenta anos de ininterrupta e profícua atividade.
Esteve presente nas salas de cirurgia de quase todos os hospitais de Salvador, espargindo exemplos de competência, habilidade e desprendimento.
No Hospital Santa Izabel, da Santa Casa Misericórdia, permaneceu por trinta anos. No Hospital Getúlio Vargas, antigo Pronto Socorro, trabalhou durante mais de duas décadas. No Hospital Português da Bahia, iniciou suas atividades na década e sessenta, e nele permaneceu dezenas de anos.
Na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, ensinou neurocirurgia, começando como Professor Assistente e terminando como Professor Adjunto.
Aos hospitais da Previdência Social, emprestou inestimável serviço.
Foi o protótipo do médico dedicado e desprendido. Trabalhou, muitas vezes, mais de dezesseis horas por dia, realizando intervenções cirúrgicas de grande porte.
Jamais associou o trabalho profissional à recompensa, de qualquer naturesa. Os atos cirúrgicos que praticava, contavam com sua presença, do início ao fim. Não se afastava do paciente, por motivo algum.
Amava os doentes como se eles fossem seus filhos.
Aos ricos e aos pobres, dispensava o mesmo carinho e a mesma solidariedade.
Nunca cobrou  honorários. Quando perguntado, respondia: “Pague o que puder, quando quiser”!
*
Inúmeros depoimentos atestam a personalidade de Fernando Filgueiras:
· “Fernando Filgueiras é uma existência plena e limpa. Jamais atrelou o seu trabalho às recompensas financeiras. Não era o seu jeito confundir o sagrado da profissão de médico com interesses menores. Ninguém o suplantou na originalidade que é a marca mais aguda do seu trabalho. Foi o que foi e é o que é, sem nunca ter se afastado de suas origens. Fernando Filgueiras, médico e cidadão, figura lendária da Bahia”- Rodolfo Teixeira.
· “A equipe de Dr. Fernando Filgueiras funcionava como uma orquestra. Naquela época, sem a tecnologia de hoje e sem o bisturi elétrico, as cirurgias realizadas por ele quase não sangravam, graças a seu procedimento artesanal e técnico. Sempre foi alegre, bem humorado e extremamente bem-relacionado com os colegas”- Paulo Bittencourt.
 
· “É uma pessoa muito admirada por sua dedicação extrema ao trabalho, aos pacientes e aos colegas. Como professor, deu exemplo de como ser médico no sentido mais amplo da palavra, além de repassar seus grandes conhecimentos na área de cirurgia”- Vicente Araújo.
 
· “É uma pessoa rara no sentido profissional e de humanismo, a quem podemos considerar como um médico completo, reverenciado por todas as suas infinitas qualidades”- Renato Carvalho.
Faleceu em Salvador, no dia 17 de fevereiro de 2010.
 


 


DEPOIMENTO RENATO VALADARES DE CARVALHO
(Valadares de Carvalho, Renato- Um Astro Que se Apaga. Revista Vida & Ética, Ano 01, No 01, Jan/março 2010)
 
 

HOSPITAL SANTA IZABEL- SALVADOR, Ba
 


“As gerações se sucedem, quase sempre completando seu ciclo com os problemas rotineiros que compõem o trajeto de nossas vidas. Em contrapartida, algumas apresentam gratas surpresas, notabilizando-se pelo surgimento de fatos ou pessoas especiais, quebrando a mesmice rotineira da existência, trazendo à sociedade algo especial.
Os homens são os operários que desempenham atividades inerentes à sua própria vida, no contexto social. Alguns se destacam por suas qualidades naturais e adquiridas, estas conquistadas pelo denodo e a perseverança na busca dos seus objetivos. Tais pessoas ganham mais notoriedade quando são de origem humilde, sem os recursos necessários para enfrentarem a adversidade, conseguindo seu lugar ao sol por justo merecimento.
Tudo isto seria compensador se, após tanto esforço, tanta luta, os reveses do destino maldosamente não ofuscassem o brilho das vitórias.
Tal preâmbulo me induz a falar de um deles, levado à pia batismal com o nome de Fernando Ribeiro Filgueiras. De origem muito pobre, filho de humilde funcionário dos Correios, cursou o ensino básico em escola pública, sempre acalentando o sonho de tornar-se médico, conseguindo com a graça de Deus e enorme esforço transformá-lo em realidade. O salão nobre da Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus acolheu o predestinado, com a aprovação ao dos luminares cujos retratos emprestam nobreza àquele recinto sagrado.
O hoje hospital de ponta Santa Izabel foi sua grande escola, convivendo com grandes mestres da cirurgia, destacando-se por sua atuação técnica e notável dedicação aos pacientes, marca da sua personalidade.
Sendo um autodidata, foi surpreendente seu destaque profissional, tornando-se um dos mais requisitados cirurgiões da Bahia, exercendo também atividades de ensino como assistente de Neurologia e de Ortotraumatologia, na sua respeitável Faculdade.
Desempenhou labores profissionais particulares em diversos hospitais da capital baiana, destacando-se os hospitais Espanhol e Português, jamais recebendo qualquer remuneração por serviços prestados aos beneficentes dos mesmos. Em justa homenagem, a Real Sociedade Espanhola deu seu nome às novas instalações do Centro Cirúrgico, em cerimônia onde tive a honra de saudá-lo.
Seus últimos quase vinte anos foram marcados pelo sofrimento. Um acidente automobilístico deixou-o inativo por longo período. Pouco tempo após este infortúnio, já estando exercendo novamente suas atividades cirúrgicas, sofreu novo infortúnio, culminando com um acidente vascular cerebral com seqüela de hemiplegia esquerda total. Acabava ali o deslizar mágico do seu bisturi, começando o triste episódio do seu confinamento em um leito. Neste exato momento, olhando pelo telescópio do meu coração, notei, contristado, a ausência de um astro na Constelação do Saber”.